O R G O N i zando

Psicoterapia Corporal 
Saúde Social
e Orgonomia 
desde Wilhelm Reich

Lidando com o Perigo

José Guilherme Oliveira

Perante uma situação de perigo, os animais dispõem de três reações possíveis: confrontar, fugir ou então fingir-se de morto.

Para enfrentar o perigo é necessário disponibilizar muita energia para uma ação decisiva. Portanto, em primeiro momento o organismo acumula energia, ele se carrega, ao mesmo tempo, avalia a situação.

Entram logo em ação dois processos emocionais: o medo dispara mecanismos fisiológicos que aguçam a sua percepção e que preparam o corpo para uma descarga energética brusca, a ansiedade provoca uma cisão que impede a descarga prematura. Com isso o organismo ganha tempo para encontrar a melhor saída e vai acumulando carga para a ação motora.

As duas primeiras reações, confrontar ou fugir, ocorrem quando o organismo encontra uma saída. A ansiedade dá lugar à ação, a cisão é desfeita e hiperexcitação se descarrega.

Mas quando o organismo acuado não encontra uma saída, ele se paralisa, a descarga energética não ocorre e a cisão persiste; o organismo colapsa mas permanece hiperexcitado. Tudo fica em suspenso. No homem a experiência não é simbolizada nem integrada às demais. Os vestígios corporais hipertensos permanecem como uma memória inconsciente; o significado não é elaborado. Isso constitui o acontecimento traumático.

Alguns animais sofrem convulsões após terem se fingido de morto que os restabelecem ao descarregar a hiperexcitação.Hiperexcitado, o organismo continua buscando uma saída mesmo após passado o perigo real, mas cindido, sem dispor da simbolização,  não consegue elaborar a situação e a revive numa repetição exaustiva, o perigo nunca acaba. Como um buraco em um sistema viário, a cisão retém o fluxo e provoca um engarrafamento em seu entorno, mantendo o incidente no foco da dinâmica do organismo.

É muito comum acharmos que não somos traumatizados. Realmente, a maioria não sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, mas essa mesma dinâmica dos grandes traumas se repete em menor intensidade sempre que ocorre algum nível de paralisia perante um acontecimento qualquer. 

A descarga motora sendo suspensa, a cisão é mantida. Toda situação onde ocorre algum nível de paralisia repete esse mecanismo de manutenção da cisão entre a hiperexcitação e a sua descarga motora. 

São mini-traumas que emperram o nosso funcionamento, diminuindo nossa qualidade de vida. Todos nós temos em nossa história muitos eventos em que ficamos sem ação, e pouco nos damos conta do quanto poderemos ganhar se pudermos processá-los.  

Bibliografia:

CARBALLO, Jorge. Teoria y clinica orgonomica del trauma. In: Saber em Movimento. Rio de Janeiro, 2000. cd-rom.

BISBEY, S. Manual de Aprendizaje de Reduccion de Incidentes Traumaticos. Reconpilacion de Jorge Carballo. Apostila.

 

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