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O R G O N izando

Produzido por José Guilherme Oliveira
 
 

 

Orgonomia e Ciência Contemporânea

Nicolau Maluf Junior

© 1998 - Direitos Autorais Reservados - O autor autoriza a reprodução deste artigo desde que sem fins comerciais, sendo citada sua autoria e feita referência à esta página, situada em http://www.orgonizando.psc.br/artigos/occ.htm. Caso sejam citados trechos do artigo, solicitamos cuidado para que o sentido da citação fora do contexto não venha a ser deturpado ou passível de má interpretação.
 

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Resumo:

Abstract:

A orgonomia, longe de ser apenas um modelo clínico, propõe-se como ciência e como paradigma. Contrastes são feitos entre noções orgonômicas, desenvolvidas a partir da prática clínica e conceitos como funcionamentos sistêmicos, complexidade, sistemas abertos e auto-organização. Uma crítica é feita a respeito do misticismo e antropomorfismo encontrados em algumas formulações científicas contemporâneas. Orgonomy, more than a clinical model, presents itself as a science and as a paradigm. Parallels are done between orgonomic notions and concepts like systemic functioning, complexity, open systems and auto –organization, as well as a criticism of mysticism and anthropomorphism which are found in some contemporary scientific formulations.
 
 
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Discutir a orgonomia é sempre um problema, dado o desconhecimento em relação ao tema. Desconhecimento por parte do público em geral, já que a orgonomia, embora de alguma forma circule através de pessoas e de pequenos grupos de profissionais em diversos lugares do mundo, mantém-se fora do universo acadêmico. Esse desconhecimento, por sua vez, também é compartilhado, infelizmente, por muitos neo e pós-Reichianos , que ou não se interessam, ou não vêem necessidade de aprofundamento e utilização deste referencial, mantendo uma prática clínica baseada apenas nos princípios de certas abordagens psicocorporais. Isto implica, no meu entender, no empobrecimento e superficialização de um saber que é caracterizado pela interligação e transpassamento dos mais diferentes domínios, de forma objetiva e não meramente ideológica. Assim, a proposta clínica cujo referencial limita-se aos fenômenos da relação soma-psique, sem uma noção teórica e prática da inserção e relação desta com tudo o que constitui o mundo à nossa volta, ainda é limitada. Limitada porque isolada.
 
Historicamente, a ciência orgonômica nasce da clínica psicanalítica. E não nos esqueçamos, da (então) surpreendente formulação Freudiana a respeito da etiologia das neuroses e sua relação com a libido, um referencial energético. Não se pode aqui descrever os vários experimentos desenvolvidos por Reich e por outros pesquisadores depois dele, além das milhares de páginas publicadas, principalmente nas áreas da física, biologia e química. Não se pode, também, nem mesmo de forma sucinta, descrever como Reich foi instigado a essas pesquisas por questões da prática clínica e como, por sua vez, essas descobertas modificaram e expandiram o campo teórico e o leque de possibilidades na clínica. Correríamos o risco de produzir uma caricatura. Por isso, o ponto de partida deste trabalho se dá com base na principal descoberta e formulação da orgonomia:

I

A existência de uma energia universal (universal com base em certas observações astrofísicas) subjacente a todos os fenômenos, com características e propriedades específicas, manifestas nos funcionamentos do mundo que conhecemos. Este, portanto, é um tema complexo.

Quando digo complexo, não quero dizer hermético, "difícil", como conteúdo ou saber especializado, como se a orgonomia fosse algo misterioso e disponível só para poucos eleitos. Complexo aqui diz respeito à natureza incomum das premissas e formulações da orgonomia em relação ao saber científico dos últimos 150 anos, sem, contudo, colocar-se fora deste referencial, mas ao mesmo tempo livrando-se das amarras do materialismo mecanicista e fundando o domínio do funcionalismo. Isso quer dizer que, se a ciência (os seus representantes), por medo, ansiedade e incapacidade ignorou ou atacou a orgonomia, os orgonomistas não agem no mesmo sentido, apenas reconhecem seus limites e tentam ampliar as possibilidades do saber.
 
A orgonomia, portanto, e isso é importante, partilha do mesmo ponto de vista das ciências em geral. Ou seja, o de um mundo regido por leis naturais e da nossa possibilidade de apreende-las, mesmo que essa possibilidade seja limitada, o que faz deste saber algo em permanente transformação.
 
Não sendo mecanicista, a orgonomia tampouco mistifica ou psicologiza a natureza, como faz o modelo academicamente aceito da mecânica quântica. Se as descobertas mais instigantes da física, da biologia e da microbiologia parecem confirmar antigos preceitos religiosos, a orgonomia, com base no funcionalismo orgonômico e nas propriedades da energia orgone, pode transitar por fenômenos para os quais o materialismo e o mecanicismo são uma referência insuficiente, sem cair em posições e explicações quase supranaturais.

Como se pode ver, pelo que foi dito antes, o campo da orgonomia é o campo das complexidades, no seu sentido literal. Complexidade como noção de conjunto, de organização. Um dos princípios da orgonomia é a de que todos os fenômenos, todas as coisas, no domínio do macro ou do micro, do vivo ou do não vivo, guardam um tipo de relação entre si. Esse denominador comum entre as coisas não é uma metáfora, é uma realidade física, propriedade de uma função energética fundante. Isto lança bases para a compreensão de fenômenos como, por exemplo, porque os redemoinhos giram no sentido horário no hemisfério sul e no sentido anti-horário no hemisfério norte, e qual a relação disso com a formação de furacões e o caminho que trilham ao longo de sua evolução. Por contraste, só há poucos anos a meteorologia deu-se conta da existência de um funcionamento sistêmico nas modificações atmosféricas, como o "El Nino". Quando falamos em organização, falamos de uma propriedade da energia orgone: o de atração e aumento de potencial, do menor para o maior, encontrado em concentrações energéticas livres de massa, e o de atração, organização e integração unitária nos bions que formam organismos unicelulares. Essa tendência à organização e à complexidade, que encontramos na física e na microbiologia orgônica, encontramos também em questões como as que examina Piaget(1), com a noção de totalidade relacional e sua criação de uma epistemologia genética, onde o surgimento da capacidade de abstração é vista como um desenvolvimento, tendo uma raiz comum ao funcionamento biológico. A utilização que Atlan(2) faz dos conceitos de hipercomplexidade e do desenvolvimento dos funcionamentos auto-regulados, ao estudar os sistemas naturais e artificiais, ganha uma base mais sólida se vista à luz da orgonomia. De uma forma geral, os conceitos de neguentropia e de reversibilidade da seta do tempo são bastante citados, apontando o vivo e outros sistemas como estando em contradição com a tendência geral à entropia formulada pela segunda lei da termodinâmica. De um ponto de vista orgonômico, os fenômenos neguentrópicos têm uma expressão muito mais ampla no universo como um todo, vida e matéria estando em permanente estado de criação. As implicações disto para a teoria do Big-Bang são enormes.

Quando fazemos uma afirmação sobre a existência de dinâmicas de ação atuando igualmente, tanto num aglomerado de bions que desenvolve um membrana circundante e fenômenos da física, bioquímica, cibernética e sociologia, como os estudados pelos autores já citados, falamos de um princípio em ação, subjacente a todos os fenômenos e determinante nas suas formações. Mas se até agora a ênfase da nossa apresentação foi a função organizadora da energia orgone, o que nos leva aos aspectos mais globais dos sistemas, é necessário também prestar atenção aos constituintes individuais destes  sistemas e sua relação com o todo.

Certas noções holísticas tendem à tornar indistintos os componentes de um conjunto, homogenizando-os. A orgonomia, com sua noção de unidade funcional, fala de pares funcionais que guardam uma relação entre si, ao mesmo tempo complementar e antitética, sendo essa relação de uma ordem mais direta ou menos direta, dependendo do pareamento em questão. Dentro desta concepção, se ela estiver correta, esperamos encontrar as mesmas forças e dinâmicas essenciais que atuam no domínio do macro atuando no domínio do muito pequeno. Um trabalho publicado por um bioquímico chama a nossa atenção. Nele, o autor Michael Behe(3), questiona as bases da teoria da evolução de Darwin, dos organismos simples aos mais complexos, em mutações adaptativas lentas e graduais. O autor demonstra a existência de funcionamentos e estruturas extremamente complexas mesmo no nível molecular. Complexidade que não poderia ter surgido de nenhuma transformação de algo menor ou anterior. Behe aponta para o que ele chama de complexidade irredutível, para conceituar sistemas micro que não podem prescindir de nenhuma parte para existir como tal. De um referencial orgonômico, entendemos que a complexidade primária no nível microbiológico é  a contrapartida da mesma tendência à organização encontrada no domínio do macro.

Eu afirmei o status científico da orgonomia. Embora através de uma série de extrapolações, a orgonomia, nascida da teoria da libido e da análise do caráter, tenha se tornado um campo do saber atuante em distintas áreas (física, biologia, química, bioquímica, astrofísica, etc.), ela surge de uma prática e uma teoria que têm como objeto o Homem, visto como pertencente às ciências humanas. Mas o fato é que, na medida em que a proposta clínica de Reich se desenvolve, e se torna cada vez mais abrangente, a dimensão isolada do psiquismo torna-se cada vez mais limitada e insuficiente frente às questões que surgem, e , rompendo-se barreiras, inclui-se o fisiológico, o biológico e, finalmente, o energético, as funções orgonóticas livres de massa. Que não se veja nisso nenhum reducionismo, cancelamento ou anulação de certas dimensões específicas. A metapsicologia Freudiana, por exemplo, não se perde de vista, apenas passa a existir num corpo real que constitui o sujeito tanto quanto o constitui a própria construção do aparelho psíquico. Não se trata do corpo contra a palavra, mas sim do corpo e a palavra. A metapsicologia e sua noção dos fatores determinantes na vida emocional, na medida em que é situada num campo mais amplo, não perde sua identidade, mas, evidentemente sofre transformações , como é natural que aconteça em qualquer perspectiva interdisciplinar onde o contato e o contraste dos saberes coloca em evidência "vazios", contradições internas e insuficiências das formulações teóricas originais, geralmente não visíveis quando isoladas. A noção de unidade biopsíquica é muito mais rica em possibilidades do que qualquer referencial isolado, principalmente se levamos em consideração as propriedades enquanto conjunto dessa organização. Com isso, ao mesmo tempo, passamos ao largo da qualidade quase religiosa atribuída ao psiquismo por certos autores, para os quais o corpo é mero acessório e hierarquicamente "inferior", como bem colocou Didier Anzier, no livro A Auto-Análise de Freud(4). A realidade física das "correntes vegetativas", apreendida por Reich após a utilização da técnica da análise do caráter, um desenvolvimento e aperfeiçoamento da técnica da análise das resistências, introduz na compreensão das neuroses e psicoses uma dimensão quantitativa esclarecedora. À noção Freudiana de sexualidade psíquica e seu papel na formação do sujeito, acrescenta-se o esclarecimento Reichiano: "O que está no inconsciente é a representação da pulsão, não sua energia". A explicitação do fator quantitativo no referencial econômico, questiona e refuta noções como sadismo e masoquismo primário, violência dos instintos e a hipotética pulsão de morte, além de enraizar mais e mais a compreensão do humano nas ciências naturais. Na clínica, o sentido único da experiência pessoal vem lado a lado com aquilo que a organização somática apresenta como disfunção. Esta é a dimensão do complexo, do sistêmico, numa abordagem orgonômica: leis naturais gerais deterministas coexistindo com a variação infinita, o único, a perpétua criação, a dualidade complementar expressa pela identidade funcional.

II

"Para mim, a concentração e o desdobramento (de Bohm) são tão conservadores quanto sua visão das variáveis ocultas. Volta-se sempre à alguma coisa que está lá e em seguida se desdobra... O tempo é criação. O futuro não está lá". Ilya Prigogine (5)

"Em caso de criatividade absoluta - novidade absoluta, sem passado - nada poderia existir, pois se esfumaçaria no exato instante da criação". David Bohm

 Essas duas citações, fora do contexto original, evidentemente, foram escolhidas apenas para exemplificar a dificuldade existente para integrar, num modelo coerente, determinismo e variação, leis naturais pré- existentes e criação. Psicanálise, teoria da relatividade e mecânica quântica foram, na virada do século, duros golpes no modelo Cartesiano-Newtoniano. Em especial, a teoria quântica teve ampla aceitação e exerce inegável fascínio entre os pensadores que postulam um modelo interdisciplinar na tentativa de aprofundamento na compreensão do fenômeno humano, principalmente a parte da teoria que atinge e modifica o senso comum a respeito da relação sujeito-objeto. Quando digo mecânica quântica, me refiro a um tipo de interpretação dos fenômenos sub-atômicos, o mais difundido e aceito, o da chamada escola de Copenhague. Há um outro modelo, o de David Bohm, livre das implicações metafísicas e antropomórficas do modelo anterior, e que , do ponto de vista da orgonomia, pode ser entendido como prova da existência subjacente nos fenômenos em geral da dinâmica antitética-complementar intrínseca ao funcionalismo orgonômico.

Farei uso aqui de um artigo publicado na revista "Scientific American", aonde o autor defende o modelo de Bohm (6).

O exame das partículas sub-atômicas levou à conclusões aparentemente bizarras:

- O puro acaso governa as leis mais básicas da natureza

- Embora objetos materiais sempre ocupem um lugar no espaço, situações existiriam em que eles não ocupariam nenhum lugar particular no espaço.

- Terceiro, e mais importante: objetos que estejam funcionando como "instrumentos de medição" ou observadores, interferem diretamente no que está sendo observado, de tal forma que não se poderia falar (no modelo tradicional) de características existentes à priori da observação, quando se pensa no resultado de um dado experimento.

A questão aqui não é se essas conclusões parecem ou não "estranhas", mas como os mesmos experimentos podem levar a interpretações como as mencionadas acima e a conclusões radicalmente diferentes em pesquisadores como de Broglie, um físico francês, Bohm e outros, como o autor do trabalho publicado na revista. Nessa visão, partículas estão invariavelmente localizadas neste ou aquele lugar particular, o "princípio de incerteza" se mostra um problema epistemológico (desconhecimento) e não uma questão da ação de um princípio, o acaso, como lei fundamental da natureza, e como, na formulação de Bohm, a posição de um elétron, no clássico experimento das duas rotas possíveis, é necessariamente determinada por suas condições iniciais, isto é, sua função campo e sua posição inicial. O contraste entre as duas visões é mais do que intrigante. Mas porque este modelo, que é livre de formulações metafísicas (para um melhor entendimento, remeto o leitor ao artigo em questão) é relegado à uma posição secundária nos meios acadêmicos?

A resposta só pode estar no velho desprezo e temor ao corpo, e a conseqüente hierarquização da consciência e do pensamento, "superiores". Essa é a visão de um mundo moldado pela consciência, (qualquer semelhança com a noção de pensamento mágico não é mera coincidência), antropomórfica, uma visão que coloca o homem num lugar central, especial, o homem fora (e acima ) da natureza. Pois esse modelo (o tradicional) fala não de interação com o real, mas de determinação, de configuração do mundo material pela observação, ou seja pela consciência. O segundo modelo vê coisas diferentes porque se posiciona à priori num referencial diferente, onde a realidade material tem forma própria e existência autônoma. Não se trata de defender essa ou aquela concepção por razões ideológicas, mas sim de qual concepção é mais coerente, não em relação ao senso comum, mas no sentido de responder de forma mais satisfatória às indagações que temos.

Alguns exemplos encontrados em textos próximos:

1- "O que chamamos de mundo objetivo seria então a expressão de uma trama de relações microscópicas quânticas que não padecem, elas mesmas, de "objetividade". Uma vez que as leis quânticas incidem sobre as possibilidades de uma dada configuração vir a ser efetivada, verifica-se como que um espessamento do presente, pois a passagem da potência ao ato não será imediata nem autônoma com respeito ao observador" (7)

2. "...a epistemologia da precisão cede lugar, cada vez mais, à epistemologia da incerteza... a psicanálise, como a física, tornou-se incerta... a psicanálise da catarse passa para a psicanálise da relação objetal..." (8)

A filosofia se apóia na física, a filosofia influencia a psicologia e a psicanálise, e aí está a clínica do homem virtual, sem substrato, sem noção de saúde ou doença, só sujeito. Sem corpo. Ou a clínica daqueles reichianos onde tudo são "intensidades", sem continente, sem contorno, sem organização, onde referenciais como o da genitalidade não têm lugar, sendo até mesmo combatidos, em nome da reformulação de idéias e modelos "superados". Nada pode ser mais contraditório. A genitalidade não é norma de conduta ou reducionismo biológico, é o produto de uma complexa sobreposição e interligação de funcionamentos que vão do biológico ao psicológico, tendo como base comum uma matriz energética. Qualquer crítica ao modelo Reichiano só é válida se leva em consideração essa combinação e inter-relação, e não toma esse ou aquele aspecto isoladamente.

III

"Se o misticismo e a metafísica estão baseados numa apreensão IRRACIONAL da energia cósmica, dentro e fora do organismo, é esperado que essa energia, nas suas manifestações físicas essenciais, mostre funções que sejam similares às encontradas na base de todas as funções associadas com a vida e as emoções". Reich (9)

Somos sujeitos históricos, pertencentes a um tempo e a uma cultura que influenciam o saber que produzimos. Mas a ciência orgonômica nos dá a possibilidade de questionar a afirmação de que necessariamente CONSTRUIMOS realidades. Se, de um lado, é verdade que ativamente selecionamos o que percebemos, desde Reich sabemos como esta apreensão depende de nossa saúde emocional, ou , em outras palavras, do quanto não encouraçados estamos. Com base no conhecimento de que a energia orgone funciona como CONSTRUTORA E ORGANIZADORA física da realidade, e com base na identidade entre funções emocionais e a física da energia orgone, é possível uma apreensão do fenômeno que existe como objeto a partir de sua identidade com aquilo que constitui o sujeito. Essa é a base de uma revolução epistemológica, a própria função da cognição é situada num patamar que transborda para além do psiquismo. Na clínica, não dispomos somente da contra-transferência e do exame de nossas fantasias, dispomos também da observação OBJETIVA do tipo de funcionamento e organização somática explícita da vida emocional, e, PRINCIPALMENTE, das nossas SENSAÇÕES DE ORGÃOS, que fornecem informações sobre o paciente, com base no contato orgonótico de campo. Assim, dadas certas condições, as sensações são colocadas como meios legítimos de pesquisa e de obtenção de informação. Existem processos naturais objetivos determinantes atuando na formação do sujeito, não só o meio e a cultura vigentes. Estes MESMOS processos são os envolvidos na construção da realidade.

A ciência orgonômica ainda está embrionária, dada a limitação de recursos de todos os tipos. Seu maior problema é a resistência EMOCIONAL que o contato com os funcionamentos naturais provoca nas pessoas em geral, fenômeno já examinado anteriormente pelo próprio Reich e que constatamos cotidianamente na clínica. Seu potencial é fabuloso, imprevisível. Sua maior riqueza é a de poder interagir e integrar-se com outros saberes, alterando-os, às vezes, mas mantendo sua (deles) identidade e especificidade, como acontece com a metapsicologia Freudiana e os questionamentos a partir da noção da base física, material, constitutiva da pulsão, como acontece com a física newtoniana e os fenômenos mecânicos de equalização de potenciais, quando contrastada com a propriedade neguentrópica da energia orgone, e como se dá com a microbiologia e Pasteur, a partir da constatação da autogênese, geração expontânea, nos experimentos com os bions, para citar alguns exemplos. O quadro de referência que surge, permite colocar a orgonomia, até segunda ordem, no lugar de um princípio totalizador, como a teoria unificadora de forças que a física procura.

"Todas as fronteiras entre ciência e religião, ciência e arte, objetivo e subjetivo, quantidade e qualidade, física e psicologia, astronomia e religião, deus e o éter, estão irrevogavelmente sendo rompidas, sendo substituídas por uma concepção da unidade básica, um princípio funcional comum de toda a natureza que se ramifica em direção à toda gama de experiência humana". Wilhelm Reich (10)
 

Bibliografia:

 1.  Piaget, J. Biologia e Conhecimento. Portugal :Rés editora
 2.  Atlan, H. Entre o cristal e a fumaça. Rio de Janeiro: Zahar
 3.  Behe, M. A caixa preta de Darwin. Rio de Janeiro : Zahar
 4.  Anzieu, D. A auto análise de Freud. Porto Alegre : Artes médicas
 5.  Weber, R. Diálogos com cientistas e sábios. (pp221):São Paulo: Cultrix
 6.  Albert, D. Bohm's Alternative to Quantum Mechanics. 5| 1994. Scientific American.
 7.  Oliveira, Luis A. Por um novo materialismo? Contemporaneidade e Novas Tecnologias. Rio de Janeiro: IDEA.ECO.UFRJ.SETTE LETRAS.
 8.  Pellanda, N.M.C. Conhecimento e subjetividade. Psicanálise hoje. Petrópolis: Vozes
 9.  Reich, W. Selected Writings. New York: Farrar, Straus and Giroux.
10. Reich, W. Selected Writings. New York: Farrar , Straus and Giroux.
 

O Autor

*Nicolau Maluf Junior, Orgonomista e psicólogo, é membro fundador e coordenador científico da Associação de Psicoterapia Corporal do Rio de Janeiro. É também membro fundador da Escola da Clínica Somato-Psicanalítica.
 
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