O R G O N i zando

Psicoterapia Corporal
e Orgonomia 
desde Wilhelm Reich

Monitorando os seu olhos
ao olhar para os monitores

(dicas para proteger seus olhos do computador)

José Guilherme Oliveira

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Proteja seus olhos. Evite ler trechos extensos na tela.

introdução fatores estressantes recomendações bibliografia

Introdução

Os olhos são a janela do espírito. É através deles que se percebe a vitalidade do ser humano, eles são um termômetro de nossa qualidade de vida. Olhos expressivos dizem mais que nossas pobres palavras podem sonhar em comunicar.

Com a disseminação da informática, passamos cada vez mais tempo frente ao computador usando os nossos olhos de uma forma muito limitada, e sob condições para as quais eles não foram preparados em eras de evolução biológica. É uma situação que gera tipos específicos de estresse, que podemos aprender a gerenciar para manter uma boa qualidade de vida.

Há vários fatores estressantes no trabalho extensivo com o monitor de vídeo:

A atenção constante
Podem ser horas a fio usando apenas o tipo de olhar centrado. Para podermos concentrar a atenção na tela, focamos a nossa atenção nos estímulos que provém da fóvea, a paste mais detalhada da retina, e precisamos usar mecanismos dissociativos da mente para ignorar toda a estimulação lateral que vem dos olhos. Um mecanismo muito útil à sobrevivência, mas ao nos limitarmos a ele corremos o risco de nos bitolarmos, de perdermos a capacidade de apreender e integrar o contexto, de tratar todos os sistemas como e fossem sistemas fechados, isolados de seu meio ambiente. Como coloca Claude Bastien em relação a evolução das espécies, "a evolução cognitiva não vai no sentido de conhecimentos cada vez mais abstratos, e sim, ao contrário, no sentido da sua colocação em contexto". O grande desafio que se coloca para a humanidade nessa virada de século não é mais o domínio da técnica, o controle do objeto, mas o da sua integração no contexto.

A fixação do olhar
O olho humano é dotado de um complexo sistema de músculos que, amplificado pelos movimentos do pescoço, nos permite olhar em praticamente todas as direções. O movimento ocular é uma atividade que facilita a comunicação dos dois hemisférios cerebrais permitindo a integração das experiências vividas. Pessoas que podem dormir, mas são impedidas de entrar no estágio de sono REM, onde ocorre o movimento dos olhos, tendem rapidamente a um desequilíbrio emocional.
Ao passar de quadrúpede a bípede, o foco da interação com o meio ambiente se deslocou no hominídeo, do olfato para a visão, inclusive em relação à sexualidade (os genitais saíram do nível das narinas e se expuseram ao olhar mais distante). Não é à toa que nossos olhos se derretem ao nos apaixonarmos, eles fazem parte da dinâmica interativa do homo sapiens, estabelecendo a distância ou convidando à proximidade. Mas, ao contrário do olfato, o olhar é direcional, e precisa de uma musculatura ágil para rapidamente voltar-se ao essencial. Olhos sedentários, fixados numa única direção, não só perdem a agilidade, como a própria amplitude do movimento se torna muito mais reduzida.

A convergência dos olhos
Nossos olhos têm a capacidade de funcionar em estéreo, com a mente avaliando as distâncias conforme as pequenas diferenças entre eles. Podem convergir desde a ponta do nariz, até o horizonte; ou ainda divergir, olhando o vazio. O olhar para perto ativa a parte do sistema límbico capaz de se perceber emocionalmente, o poder se ver. O olhar para longe ativa o reconhecimento do outro, o não-si. É nessa alternância de distâncias que é construída a nossa capacidade de discriminação e a própria formação do eu. Ao trabalharmos num computador frente ao par monitor/teclado estamos usando apenas duas distâncias similares de convergência. Uma longa permanência ininterrupta nessa situação tende a levar a uma perda da discriminação de si como sujeito e da máquina como objeto.
As pessoas com vista cansada, só conseguem uma boa nitidez a uma determinada distância, têm uma tendência a usar uma flexão do pescoço para um ajuste fino dessa distância, estressando a musculatura cervical. Se você tiver vista cansada, procure um oculista e faça uns óculos específicos para trabalhar à distância de 60cm, isso trará algum alívio para seu pescoço. Use fontes grandes para facilitar a leitura.

A radiação dos monitores
Esse problema ocorre nos monitores de raios catódicos (CRT), não sendo tão relevante nos de cristal líquido. A radiação eletromagnética tem um efeito desorganizador (entrópico) nas sutis dinâmicas dos nossos processos fisiológicos; a disponibilidade energética se reduz, havendo uma maior tendência da energia em nossa fisiologia em assumir estados de ligação mais fixos, diminuindo a vitalidade do organismo, principalmente a dos olhos. Este é um efeito que vai contribuir para enferrujar toda a musculatura ocular a que nos referimos. Mesmo os monitores que se enquadram em padrões de segurança de radiação para monitores (como o MPR-II), ainda provocam uma baixa na vitalidade ocular bastante significativa.

Recomendações para minimizar o estresse ocular

  1. Evite ler trechos extensos na tela. Imprima. O papel não faz mal à vista.
  2. Evite o trabalho ininterrupto frente ao monitor por muito tempo. Faça pausas regulares por alguns minutos, onde é importante restabelecer o contato com o seu entorno. A água é um importante recurso para reciclar as energias estagnadas, lave os olhos com bastante água a cada intervalo. Você talvez se surpreenda como aumento de sua produtividade, principalmente no que tange à eficácia. A pausa é um momento de distanciamento onde você estará de alguma forma avaliando o que está fazendo. Lembre-se que a compulsão é a forma mais eficaz de se fazer o que não é realmente necessário, e de se evitar perceber aquilo que o é.
  3. Durante o trabalho, use seus olhos de forma mais abrangente, se permitindo olhar um pouco em volta. Perceba o que está se passando no ambiente onde você trabalha. Uma música de fundo pode ajudar a quebrar um pouco o estado quase fusional com a máquina.
  4. Se você perceber os olhos tensos ou doloridos, pare. Lave os olhos com água abundante e faça exercícios alternados de movimentação dos olhos (laterais, verticais, de convergência, girando os olhos, piscando). Busque outras atividades que você precisa fazer que não dependam do computador, até você sentir os olhos mais relaxados. Se for possível, deite com duas rodelas de pepino sobre os olhos.
    Sendo imprescindível prosseguir com o trabalho diante do monitor, faça pausas mais freqüentes e mais longas. Evite que o trabalho se torne compulsivo, mantendo uma distância crítica do que você está fazendo. Procure dormir mais tempo essa noite.
  5. Ao longo do dia, desligue o monitor quando ele não for usado por um tempo mais longo. Protetores de tela não são necessariamente protetores de olhos, ainda que ajudem um pouco. Use tempos mais curtos para ativar seu protetor de tela, e dê preferência aos de fundo preto.
  6. Escolha monitores dentro dos padrões recomendados de proteção à radiação. Com a queda dos preços, em breve será viável migrar para os monitores de cristal líquido.

A fluência de toda a musculatura ocular, interna e externa, é um pré-requisito primordial para a manutenção da disponibilidade da energia do organismo, ou seja da sua vitalidade. Cuide bem dela,
e ela irá influenciar positivamente a sua percepção de mundo, sua afetividade e sua sexualidade.

O autor

José Guilherme Oliveira é analista de sistemas e psicoterapeuta corporal reichiano com especialização em EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares).

Bibliografia

BOURGIGNON, Andre - História Natural do Homem - 1. O Homem Imprevisto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990.

MORIN, Edgar; KERN, Anne-Brigitte - (1993) Terra-Pátria. Porto Alegre: Sulina, 1995.

NAVARRO, Federico. Metodologia da vegetoterapia caractero-analítica.

OLIVEIRA, José Guilherme C. - Ser e não ser: a dinâmica do universo. Rio de Janeiro: Papel Virtual, 2000.

REICH, Wilhelm - (1928-1949) A Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

RODRIGUES, H. J. L. F.; OLIVEIRA, J. G. C. (orgs.) - Saber em movimento: tecendo a rede das psicoterapias corporais. Rio de Janeiro: 1999.

 

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