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O R G O N izando

Produzido por José Guilherme Oliveira
 
 

ORGONOTERAPIA COM CRIANÇAS:

sua forma lúdica de utilização

palestra apresentada no Encontro de Psicoterapia Somática da Universidade Santa Úrsula em setembro, 1997

por ROSIMERY DA SILVA LOPES
 
© 1997 - Direitos Autorais Reservados - O autor autoriza a reprodução deste artigo desde que sem fins comerciais, sendo citada sua autoria e feita referência à esta página, situada em http://www.orgonizando.psc.br/artigos/ludica.htm. Caso sejam citados trechos do artigo, solicitamos cuidado para que o sentido da citação fora do contexto não venha a ser deturpado ou passível de má interpretação.


    Para compreensão da orgonoterapia com crianças, é fundamental conhecer : o objetivo, as  características  necessárias  ao orgonoterapeuta, e os procedimentos técnicos utilizados com os pais e a criança.

    O objetivo consiste em  preservar a  expressão natural  do  movimento  energético  da criança  e  restabelecer  a  espontaneidade emocional perdida devido  às  inibições  do  meio  social.  Essa  concepção  cumpre uma função preventiva,  já que  a infância  é uma  etapa  do desenvolvimento, onde os impulsos instintivos podem ser impedidos de serem expressos. Isso, promove o encouraçamento desde a mais tenra idade, se incorporando  ao EU biológico  havendo  uma  diminuição da  carga  energética  dos  impulsos  e  redução da capacidade vibrante de viver, estruturando assim o caráter de forma neurótica.

    Ao orgonoterapeuta, são necessárias as seguintes características:

    Conhecer  o  funcionamento  energético  do ser  humano, e sua  manifestação emocional de acordo com a etapa do desenvolvimento da criança, segundo a orgonomia;  ser  afetuoso  e  capaz  de  buscar  uma   linguagem  comum que  propicie o estabelecimento da relação transferencial. Para isso, o brincar é um método fundamental. Sendo assim, é necessário que o orgonoterapeuta  apresente  mobilidade  caracterial e capacidade de  contato  corporal  para  acompanhar a movimentação energética da criança durante a brincadeira.
 
    O orgonoterapeuta  que  está  livre  para  ser  brincalhão,  facilita  o  brincar  da criança.  É  importante  estar sensível  a  perceber as emoções bloqueadas no corpo da criança, o momento  e a  forma  adequada  de  tocá-las, utilizando, às vezes, o próprio corpo para expressá-las. Essa conjunção entre a sensibilidade de  perceber  e  tocar, com  a  criatividade  do  orgonoterapeuta,  determina   a escolha da brincadeira no trabalho terapêutico.

    Com  relação aos procedimentos  técnicos, inicialmente é  fundamental delimitar  para  os  pais o papel  de orgonoterapeuta da criança, das seguintes maneiras:  É  importante  cuidar  para  não  interpretar os pais, pois isso dilui a relação  transferencial  da  criança  e  estimula  a  transferência dos pais com o  orgonoterapeuta,   produzindo   rivalidade   entre   pais  e   filho,  já   que  esse  último  é  que recebe o tratamento. A essa rivalidade, soma-se  um  sentimento  em   relação  ao orgonoterapeuta,  como  se  ele roubasse o afeto de seu filho, e  ainda  emenda o  que  eles ,  pais,  tenham  feito  de "mal"  ou "errado".  Por isso, a importância de não interpretá-los.

    Outro  aspecto  fundamental é  evitar  o aconselhamento  aos  pais  para que o orgonoterapeuta  não  ocupe  o  lugar  de  figura  persecutória que os orienta a mudar  uma  situação  real  impossível  de ser  transformada sem a elaboração psicológica de suas atitudes envolvidas, fazendo com que se sintam incapazes. Todos esses fatores   citados   acima,  somado  à   culpa   que   vivem  devido  ao  sintoma  apresentado  pelo  filho,  podem  ser  canalizados  ao  tratamento  da   criança   sob   forma  de  agressão,  dificultando-o  e/ou   provocando  sua  interrupção.  Somente  a  partir  da   transformação  da  própria  criança, é que essa  requisitará   mudança  no  comportamento  dos  pais.  Aí,  é  o  momento  de  conversar   com  eles,  caso  apresentem   dificuldade  e/ou   resistência  à  demanda  do  filho.  Nesse   caso, pode-se  conscientizá-los  das atitudes  em questão e investigar com eles suas possibilidades de suprir as  necessidades da criança.  Por exemplo,  quando  a  criança  precisa  ser  tocada  para aliviar tensões  agudas,  em  momentos  que  não  há  acesso  ao  psicoterapeuta,  é importante que os  pais  já  tenham  recebido do orgonoterapeuta  noções  sobre como tocá-la.  Enfim,  mas  a  contribuição  fundamental dos  pais  ao  tratamento  do  filho, é levá-lo às sessões. Isso deve ser demarcado e ressaltado  para  eles,  como  a  principal  ajuda  ao  tratamento  do  filho. Assim, cada um  ocupa  seu respectivo lugar, e alivia-se  a culpa  dos pais diante das  dificuldades do filho.

    Em se tratando da criança, os procedimentos técnicos são os seguintes:

    O  tratamento  orgonoterapêutico  com a criança consiste primordialmente, em  descobrir o meio de comunicação com ela. Nesse caminhar, é que se apresenta o brincar.  Onde a  criança expõe sua realidade  subjetiva, criando  situações imaginárias a partir dos objetos da realidade externa.

    Na orgonoterapia, o orgonoterapeuta é o mediador desse interjogo entre a vida psíquica e a relação com os objetos reais. Ocupando, por vezes, o lugar desse objeto no qual a criança projeta seus  medos e angústias. Assim se trabalha na relação  transferencial  estabelecida  através do brincar, onde o brinquedo só  é  introduzido enquanto demanda dessa relação. Desse modo, o orgonoterapeuta precisa  se colocar  receptivo  e livre  para se entregar  às brincadeiras.  Sendo inadequado organizá-las, pois isso previne o aspecto do descobrimento que há no  brincar,  já que é importante que a criança surpreenda a si mesma.  E essa organização da brincadeira, cria um estado de submissão para  a  criança  retirando o sentido criativo e espontâneo inerente ao brincar.

    Esse aspecto da espontaneidade de expressão emocional pode ser trabalhado através da imitação. Por exemplo, quando a criança expressa medo através de seus olhos assustados,  imita-se essa expressão junto com gritos, brincando de dar susto  no  pique-esconde.  Gradativamente ela vai tomando contato com  o  medo e os motivos  do mesmo. Desbloqueia-se o segmento ocular e recupera-se a capacidade natural de expressar,  o  que exige do orgonoterapeuta  habilidade no contato com a criança, e criatividade em adaptar o objetivo terapêutico  à brincadeira, de acordo com a etapa do desenvolvimento da criança.

    Ao trabalhar  a  transferência negativa , pode-se por exemplo: brincar de imitar um cachorro  e  propor  que  morda  uma toalhinha; brincar de fazer caretas ou jogar almofadas.  Mostrando como manifesta e se defende de exprimir a raiva, conectando com seus motivos. Mas, sempre focando  inicialmente,  as  expressões  de   raiva  que  se  apresentam  na  superfície  da conduta  da  criança. Fazendo-a   perceber,  desse modo ,  que  o  desprezo  e o sadismo, são mais comuns de serem demonstrados na vida social do que a agressividade natural. Essa diferenciação deve ser clarificada para  a  criança, ajudando-a  restabelecer a capacidade agressiva  enquanto defesa biológica, e também esclarecendo sobre  as  possíveis  dificuldades  da  agressividade ser aceita socialmente. Dessa   maneira,  previne-se,  também,  a  reincidência  do  encouraçamento. Tendo essa clarificação,  o  papel  de  prevenir a neurose e promover a saúde.  Aspecto  característico da orgonoterapia com criança.

    A massagem  reichiana  também pode ser utilizada de forma lúdica. Brincando por exemplo, de fazer "massa de pizza". Funciona  como carícias, para crianças que  apresentam medo de serem tocadas, desfazendo tensões e possibilitando o contato afetivo.  O toque  através  da  brincadeira  de fazer cócegas, também desencouraça,   pois  desorganiza  o  controle  das  emoções,   provoca   risos, afrouxando os segmentos oral e diafragmático.
As  intervenções   seguem  a  direção   das  emoções   desde  a  superfície  do encouraçamento  a  níveis mais profundos. Analisando as formas de expressão neurótica. Seja  através  de  jogos, desenhos  ou  de  contos  de  fada   criados  juntos  à  imaginação da  criança. Por exemplo: se  ela  traz  uma  boneca para  a  sessão  e  mostra  as  posições em que  é capaz de colocá-la,  como  forma de retratar que se sente manipulada, pode-se inventar uma estorinha, onde fale do sofrimento  das  crianças  que  são  tratadas como se fossem bonecas, sem sentimento  e  vontade própria. Essa abordagem estimula a criança a perceber seus sentimentos, e ilicia sua manifestação.

    A medida que se transpõem as defesas, amplia-se a capacidade de expressão e de sensações  de  prazer,  que  são  promovidas  pelo  interjogo do aprender  a   vivenciá-lo   durante  as  sessões,  e  experimentá-lo  em  outros  espaços e relações de seu mundo. E quando os pais não  suportam a expansão emocional da  criança,  é  importante  esclarecer  para ela  ( a criança ),  que  isso  não  a torna  incapaz  de  expressar-se.  Esse   retorno  sobre  sua   possibilidade,  a fortalece, tornando-a confiante em seus próprios sentimentos para lidar com as situações da vida.

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