O R G O N i zando

Psicoterapia Corporal
e Orgonomia 
desde Wilhelm Reich

A bioenergia como
uma disponibilidade energética

José Guilherme Oliveira

Prólogo

Este artigo é um capítulo do livro Ser e Não Ser, a dinâmica do universo, de minha autoria.

A partir de alguns conceitos da física, da bioquímica, da biologia, das teorias de sistemas e da complexidade, são tecidas algumas conjecturas sobre a natureza da bioenergia; em particular, a possibilidade dela manifestar a disponibilidade energética do organismo. Há um glossário onde os termos técnicos são explicados, basta clicar no termo sublinhado.

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A energia de ligação
(capítulo 4.2 do livro)

A célebre equação relativista, E=mc2, expressa uma equivalência entre matéria (m) e energia (E). A teoria cosmológica do Big Bang versa que no início dos tempos havia um universo minúsculo que consistia unicamente de energia a altíssimas temperaturas. À medida que esse universo se expandia ele se esfriava e uma parte desta energia foi se condensando em algumas partículas subnucleares, que por sua vez foram se ligando para formar a matéria tal como a conhecemos.

Mas o nível subnuclear de altíssima energia é um mundo relativístico onde as forças entre partículas se exercem através de uma troca de novas partículas, levando à unificação dos conceitos de força e matéria. Não existe a possibilidade do elemento, tudo é relação. Portanto podemos pensar na matéria como sendo uma primeira forma de ligação, e no universo material como não tendo uma substância primordial, mas tendo por base uma rede de interligações. Este primeiro nível de explicação da matéria ainda está muito próximo do implicado, pois os nós (as partículas) da rede (as forças) são uma rede (forças) de nós (entre partículas), num mecanismo circular de envolvimento / desenvolvimento.

As ligações vão se dando em níveis de estratificação crescentes: quarks se unem formando prótons e neutrons, que por sua vez vão formar os núcleos atômicos. Os núcleos ligados aos elétrons constituem os átomos, que por sua vez se ligam em moléculas.

Cada uma destas ligações envolve uma certa quantidade de energia, a energia de ligação. Esta energia se torna gradativamente mais fraca à medida que o nível de estratificação fica mais complexo: a energia nuclear, que mantém o núcleo do átomo coeso, é muito mais intensa que a energia química, decorrente das ligações entre os átomos. Mas por outro lado, quando a energia de ligação é mais fraca, ficam mais diversas as possibilidades de vinculação, que vão se combinando de múltiplas formas gerando organizações cada vez mais complexas. Se o número de elementos atômicos é da ordem de uma centena, a diversidade de moléculas é imensa, e a de formas de vida maior ainda. Faz sentido então, considerar como mais sutis no lugar de mais fracas essas formas de ligação entre entidades cada vez mais complexas.

Cada novo nível de estratificação envolve uma nova ciência que estuda suas vinculações. A química domina as ligações entre os átomos – como a ligação co-valente e a ligação iônica[1] –, a física de estados versa sobre as ligações entre as moléculas, a astronomia entre os corpos celestes. A homeopatia está estudando as ligações entre as moléculas de água (pelas pontes de hidrogênio) como geradoras de complexas redes que vibram conforme a ativação propiciada pelas diferentes substâncias – o princípio ativo. Viktor Schauberger[2] pesquisou a qualidade da água e as suas propriedades energéticas decorrentes, essas propriedades parecem estar vinculadas a estes (e talvez ainda a outros) níveis sutis de ligação. Ele vai perceber na água em movimento características muito similares àquelas que Reich notou como sendo próprias do orgone, como as formas espiraladas que surgem nos turbilhonamentos. Como a água é uma das bases da vida, é uma questão a ser investigada até que ponto as propriedades energéticas mais sutis da vida encontram nas formas de ligação da água o seu substrato estrutural.

Aqui estaremos não só interligando o saber de várias áreas na busca de um entendimento do orgone e de sua manifestação no vivo, a bioenergia, como também aventaremos algumas hipóteses que o atual estágio tecnológico ainda não permite que sejam testadas. Essas hipóteses são coerentes com o conhecimento que dispomos e podem vir a orientar futuras pesquisas.

Uma das hipóteses aqui assumidas é que, com exceção do oceano de energia cósmica, que é de uma ordem totalmente implícita, a energia orgone se explicita a partir deste oceano. Esta explicitação vai se constituindo através das diferentes formas de energia de ligação, mesmo que algumas destas sejam tão sutis que ainda não as conheçamos. A ligação é ao mesmo tempo uma explic(it)ação do relacionamento implícito e uma implicação dos objetos explícitos, ela faz a ponte entre essas duas ordens. Entretanto, como veremos, o orgone não se confunde com nenhuma forma de energia de ligação.

Na matéria viva, aquilo que chamamos de bioenergia pode se manifestar como um conjunto de formas distintas de energia de ligação, que se alternam entre uma menor ou maior ligação à matéria, entre uma maior ou menor motilidade. Por exemplo, o citoplasma, ao se contrair, assume uma consistência sol que é mais viscosa e resistente ao movimento que a consistência gel, que é assumida na expansão. Os intercâmbios entre essas formas vão possibilitar uma alternância entre o acúmulo em um estado mais carregado e uma descarga da energia através do movimento. Se imaginarmos que além do sol, do gel e do princípio ativo podem haver ainda inúmeras outras ligações mais sutis que ainda não foram descobertas, elas constituiriam um conjunto das formas da energia orgone livre se vincular à matéria, que se alternam numa pulsação entre a carga e a descarga, entre uma maior e uma menor explicitação, que vão constituir o movimento expressivo da vida. Em resumo, a bioenergia seria o efeito de uma dinâmica de transmutações entre diferentes formas de energia de ligação, comportando os processos de carga (acúmulo, ligação) e descarga (movimento, desligamento).[3]

No nível bioquímico de transmutação energética, ocorre um ciclo de reações em torno das moléculas de ATP que supre a célula da energia necessária. No entanto, Leopoldo de Meis (1997) vai precisar a fonte dessa energia em uma alteração entrópica, ou seja, ao invés de entender-se a energia da célula como proveniente do ATP, percebe-se que este vai apenas tornar disponível uma certa quantidade de energia presente do meio ambiente da célula funcionando como um veículo de transporte desta energia. Em contraste, os fosfoésteres não conseguem desempenhar este papel.

"Instead of the classical definition of ATP as being a high energy phosphate compound, we think that a more accurate definition would be that ATP and other phosphate molecules possessing phosphoanhydride bonds are molecules that permit the use of entropic energy. (…) Instead of referring to phosphoesters as 'low energy', we may define them as phosphate compounds that do not permit the use of entropic energy."[4]

Resumindo, mesmo quando a energia está presente no meio corporal, a sua disponibilidade pode variar. Quando disponível, nos referimos a ela como bioenergia[5]; quando não disponível, a pensamos como energia estagnada ou mesmo DOR. Serão as formas de ligação que vão determinar a sua disponibilidade, e isso é uma questão de organização, de como essa energia propicia ligações que vão organizar a matéria e seus processos; ou seja, está envolvida não apenas uma questão energética, mas uma questão dinérgica, onde a informação presente é crucial, ainda que ela esteja escrita em uma linguagem molecular.

Examinemos um processo de desencouraçamento. No organismo encouraçado, a energia está mais fixada, há uma maior ligação à matéria que a mantém restrita a determinadas partes do corpo, havendo pouca motilidade. À medida que o organismo vai se desencouraçando, ocorre uma integração de sua energia, que passa a fluir com mais facilidade dando uma maior sensação de inteireza, e propiciando uma maior comunicação interna entre as diferentes partes do corpo. Para que isso aconteça, a energia teve que encontrar formas de ligação mais ágeis, que permitissem uma maior possibilidade de troca e uma velocidade de transmutação mais rápida. São portanto, formas de ligação menos ligadas à matéria, mais capazes de propagar-se às regiões vizinhas com tal facilidade que multipliquem os vínculos, montando uma ordem implícita que o nosso sistema sensoperceptor vai captar como um todo pulsátil que propicia uma imensa sensação de bem-estar, de segurança de si, e de uma leveza indicadora de ligações mais suaves. A energia de ligação vai se tornar menos localizada, assumindo formas que se dão à distâncias maiores, através de um aumento na interação entre órgãos distintos, num metabolismo mais versátil. A auto-regulação se torna mais distribuída, conjuntos mais complexos adquirem uma regulação própria. Fazendo um paralelo com a engenharia de computação, o desencouraçamento equivaleria à substituição de um hardware por um firmware, por um software, ou mesmo por um netware. O processamento se torna menos central e mais distribuído.

A base dos movimentos plasmáticos é esta conversão entre a forma gel e a sol do citoplasma, liberando uma energia que constitui essa ondulação. Podemos generalizar a constatação de Reich de que as emoções são funcionalmente idênticas aos movimentos plasmáticos, ela deve ser funcionalmente idêntica a todos os movimentos decorrentes destas transduções entre as diferentes formas de ligação que constituem a bioenergia. Assim estaremos abrangendo não só os diversos estratos da motilidade (o das células, o dos órgãos, o do corpo integrado), como a grande diversidade de fenômenos fisiológicos envolvidos nestes movimentos.

Na medida em que ela também envolve ligações mais sutis que vinculam diferentes partes do corpo, formando e desfazendo um grande número de interconexões possíveis em uma dinâmica bastante volátil, podemos pensar em uma correspondência com os processos psíquicos de deslocamento e condensação. Estes processos se tornam mais facilmente conscientes em pessoas que têm em seu corpo uma maior qualidade de energia "livre"[6], como acontece em indivíduos menos encouraçados, sejam eles psicóticos ou pessoas mais genitalizadas.

Daí concluímos que o recalque implica em uma ligação da energia à matéria[7]. Da mesma forma que não é possível organização psíquica sem recalque, não é possível a formação de uma identidade sem que haja uma certa vinculação da motilidade que encontramos tão livre no bebê; suas ligações voláteis vão ser organizadas em formas mais estáveis que vão constituir a sua personalidade. É essa perda de alguns graus de liberdade da energia, com uma diminuição na capacidade decorrente de formação de vínculos em deslocamentos e condensações, que vai constituir o recalque básico que estrutura o aparelho psíquico.

Mas não só o recalque organizador, mas também aquele que vai fixar o caráter é fruto de uma fixação da energia à matéria. A pobreza associativa do caráter compulsivo é acompanhada de um corpo denso, com uma energia muito firmemente ligada, com pouca motilidade. Já no caráter histérico temos uma maior riqueza de associações e um corpo ágil em contrapartida. A função anal visa adquirir um controle do movimento do corpo, é uma função de vinculação da energia livre à matéria, que forma esse controle diminuindo os seus graus de liberdade[8]. Os caráteres anais decorrem de uma disfunção da analidade que vai exacerbar essa fixação energética. No caráter genital a energia ligada não se torna fixada, ela perde alguns graus de liberdade de movimento para organizar o psiquismo, mas não perde os graus de liberdade de transdução das ligações; os vínculos podem ser refeitos à medida que se tornam desnecessários ou inconvenientes.

Uma hipótese que podemos aventar é a de que as formas DOR e oranur de energia são manifestações decorrentes de um tipo de vinculação da energia orgone à matéria através de alterações no seu tipo de ligação, de tal modo que surge um padrão de organização desses vínculos que seria destrutivo para as ligações sobre as quais a vida floresce.

O movimento livre não está sujeito a nenhuma das quatro forças elementares da natureza, portanto, ele não envolve nenhuma energia de ligação.[9] Mas segundo a teoria da relatividade, só podemos falar em movimento livre sob a ótica de um determinado observador, portanto esta energia cinética envolvida no movimento é totalmente implícita.

Já o movimento que de alguma forma é restrito a determinadas condições, como o movimento browniano das moléculas que constitui a energia térmica de um objeto[10], ou a própria pulsação que resulta de um limite superior e outro inferior, são formas mais ligadas ao objeto (à matéria), menos relativas, mais explícitas. Vimos que o movimento resulta da transmutação de uma energia mais ligada a uma energia cinética implícita, propiciando uma descarga, e que o aumento da ligação da energia à matéria vai diminuir o movimento e carregar essa matéria de energia. Portanto, carga e descarga são resultantes dessa alternância da ligação da energia à matéria, da pulsação entre a ordem explícita e a ordem implícita.

Podemos ainda pensar em energia de ligação de uma forma um pouco mais abstrata, como a existente entre os grupos, ou mesmo na gramática de uma linguagem. As disciplinas esotéricas falam de diversos corpos energéticos, que talvez um dia venham a ser explicadas como formas de organização decorrentes de ligações mais sutis que as hoje conhecidas, como foi o caso do magnetismo, uma disciplina mística que se tornou científica quando as ligações que ela envolvia foram explicadas.

Examinemos o grupo como um caso do princípio da Gestalt de que "o todo é maior que a soma de suas partes". Do grupo serial (como uma fila de banco) ao grupo institucionalizado (uma família, uma empresa), há uma crescente coesão que se origina no investimento feito por seus membros na constituição e na manutenção deste grupo. Portanto, envolve uma energia de ligação, que é o próprio investimento no grupo.

Ou seja, o todo é a soma das partes mais a energia de ligação entre elas, desde que passemos a conceber a boa forma como uma energia de ligação sutil. A energia envolvida do holomovimento vai se desenvolver na ligação das partes à medida que estas partes se envolvem entre si. Esta energia de ligação é uma discriminação de algo que era todo e se faz ligação entre elementos, contribuindo para a geração de algo coeso que pode ser percebido como uma unicidade qualquer: um órgão, uma frase, um ecossistema, um conceito, uma pedra.

Por outro lado, toda vinculação propicia alguma forma de organização, de modo que toda ligação é dinérgica, ela engloba não só energia mas também informação, uma ordem que é transposta de um todo implicado para uma realidade desenvolvida. Em um trabalho anterior (Oliveira, 1996), propus que considerássemos o próprio orgone como uma dinergia, um princípio de funcionamento comum entre energia e informação. Ele reflete mais a disponibilidade energética do que a energia em si, e abrange a informação contida nas formas de ligação da energia e na dinâmica de transdução entre elas. Não podemos atrelar o conceito de orgone às formas de energia de ligação, mas sim ao movimento de transformação que existe entre estas formas, e à informação que elas veiculam.

Podemos então encarar os grupos como uma via de contato com o cosmos, é como o todo se manifesta cedendo uma parte de sua imensa dinergia ao nosso acesso. E se no nível do vivo essa energia de ligação toma uma forma menos material, se manifestando como pertinência, instinto, afeto, cultura, ou amor, podemos imaginar se esta não seria a base da espiritualidade: um desenvolvimento dinérgico mais sutil e mais complexo, mais rico em significado, que busca se alimentar da ordem implicada do todo. Um grupo pode funcionar como uma antena cósmica que recebe uma dinergia que está para além dele e a traz para o seio dos homens.

Se passarmos a reconhecer essa pulsação entre as ordens implícitas e explícitas, entre o discriminado e o fusional, não só nos processos da natureza como também nos conceitos da linguagem, será natural supor que estas polaridades estejam implícitas nestes processos e conceitos. Rompe-se a dicotomia entre o natural e o artificial, no sentido de supor-se que o que é simbólico fica para além do natural, este também é uma decorrência de uma ordem da natureza.



[1] Usando um modelo pré-quântico, que apesar de menos preciso nos fornece uma imagem mais didática, numa ligação co-valente, um elétron estaria circulando em torno de dois ou mais átomos, na sua alta velocidade parece formar uma espécie de membrana que vai trazer uma identidade àquele todo constituído. Já uma ligação iônica vai se dar pela atração entre "átomos" desbalanceados eletricamente (íons) que tenham cargas opostas.

[2] Vide COATS (1996)

[3] A carga e descarga também podem ocorrer através dos processos de concentração e difusão. A concentração carrega e propicia a discriminação, a difusão descarrega e propicia a integração. Na difusão há uma perda da coesão interna (da identidade, um des-ligamento) e um maior acoplamento com o meio; sabemos que na descarga o potencial orgonótico de um objeto tende ao potencial do seu meio ambiente (REICH, in Éter, Deus e Diabo, cap.VI).

[4] In MEIS (1997). No lugar da definição clássica do ATP como sendo um fosfato composto de alta energia, pensamos que uma definição mais precisa seria que o ATP e outras moléculas de fosfato que possuam ligações fosfoanídricas sejam moléculas que permitam o uso de energia entrópica. (…) Ao invés de nos referirmos aos fosfoésteres como 'baixa energia', podemos definí-los como fosfatos compostos que não permitem o uso de energia entrópica."

[5] A palavra bioenergia é sempre usada ao longo deste trabalho no sentido orgonômico do termo, isto é como a manifestação da energia orgone no ser vivo; em distinção às conotações que este termo pode assumir na biologia, fisiologia, etc.

[6] Rigorosamente, a energia livre não está ligada ao corpo; estamos usando uma expressão coloquial para nos referirmos a formas de energia de uma menor vinculação com a matéria.

[7] Não podemos dizer que eles são funcionalmente idênticos porque nem toda ligação de energia à matéria corresponde a um recalcamento.

[8] Aprender é explicitar uma das ordens que existe no caos das multiplicidades implícitas. Aprender a controlar o movimento é se ater a algumas combinações de ação muscular que produzam um efeito integrado dos músculos envolvidos, descartando as ações descoordenadas.

[9] Uma questão que parece contraditória e que carece de uma investigação adicional é o do movimento livre estudado pela física clássica ser um movimento retilíneo uniforme, enquanto que o movimento livre da energia orgone ser um movimento espiralado. DOCZI (1991/1990) vai mostrar que o espiralamento está relacionado a uma capacidade evolutiva onde cada novo elemento decorre da combinação dos já existentes segundo a seqüência de Fibonacci.

[10] São as forças eletromagnéticas entre as moléculas que vão caracterizar os "choques" entre elas, de forma que o movimento térmico se dá em um campo de forças que o condiciona, uma parte da energia é usada nestas forças, constituindo uma energia de ligação.

Glossário

  • auto-regulação - conceito da cibernética que designa a capacidade de alguns sistemas de tenderem dinâmicamente para um estado de equilíbrio , eles são capazes de corrigir desvios do equilíbrio introduzidos por estímulos. Nos sistemas vivos, faz mais sentido falar-se em um desvio de um equilíbrio dinâmico, e de uma auto-eco-regulação, ou seja uma auto-regulação comum e mútua do oganismo/meio ambiente. A auto-regulação foi um conceito usado por Reich na compreensão da economia da energia do organismo.
  • ATP - (trifosfato de adenosina) molécula básica no processo do ciclo energético da célula; ela armazena e transporta a energia necessária aos processos celulares.
  • bioenergia - energia biológica derivada do orgone cósmico, manifestação da energia do organismo. Neste artigo discute-se a possibilidade da bioenergia ser mais uma disponibilidade energética do que uma energia em si.
  • caráter genital - forma de caráter flexível e auto-eco-regulatório, capaz de se preservar e de responder funcionalmente ao meio ambiente. No caráter genital os mecanismos de defesa seriam usados apenas de acordo com e durante a sua necessidade e conveniência. É usado em contraposição ao caráter neurótico. Hoje entende-se o caráter genital como um ponto de fuga, ou melhor, um atrator no sentido da Teoria do Caos, um lugar para o qual se tende sem nunca chegar a atingí-lo.
  • citoplasma - meio intracelular entre a membrana e o núcleo, o "recheio" da célula.
  • couraça - Conceito introduzido por Reich para designar a estrutura de bloqueio do fluxo de energia no organismo. Existe nos níveis do sistema nervoso (do ectoderma), muscular (do mesoderma), e visceral (do endoderma).
  • deslocamento e condensação - termos psicanalíticos que representam os modos de funcionamento dos processos inconscientes do psiquimo. O deslocamento é a capacidade de representar (substituir) um significado por um outro a ele associado, a condensação é a capacidade de um único significado poder representar vários outros..
  • DOR - "Deadly orgone" - Termo atribuído por Reich às formas estagnadas da energia orgone, o DOR é tóxico.
  • dinérgico - referente à energia e à sua organização, engloba energia e informação, está relacionado à criação de padrões [do grego dia "através" + energia]
  • energia cinética - energia do movimento de deslocamento, é a sempre relativa a um determinado observador, é diferença de energia para o observador entre um corpo em movimento e esse corpo parado.
  • entropia - uma medida da indisponibilidade energética, ou seja da energia não disponível para a utilização. A entropia também pode ser considerada como uma medida de desorganização, de bagunça. A entropia de um sistema fechado nunca pode diminuir (2ª lei da termodinâmica), mas um sistema aberto, como as formas de vida, podem se organizar repassando o aumento da entropia para fora de si. O universo, como um sistema fechado, tem uma entropia sempre crescente, que é absorvida pela sua expansão (o focado é mais organizado que o difuso). Em última instância, é a expansão do espaço que possibilita a organização da matéria.
  • física de estados - estuda os estados da matéria: sólido, líquido, gasoso, plasma, supercondutor, etc...
  • firmware - chip programável apenas por mecanismos de hardware, um meio termo entre o hardware e o software.
  • forças elementares - Na natureza há apenas 4 forças básicas: a eletromagnética, a gravitacional, a nuclear fraca e a nuclear forte. Todas as demais decorrem de efeitos destas elementares. Por exemplo, ao levantar um copo, são as forças eletromagnéticas que impedem as moléculas do meu corpo e penetrarem por entre as moléculas do copo que vão se contrapor ao peso do copo (força gravitacional) permitindo que eu o desloque.
  • funcionalmente idêntico - conceito do funcionalismo orgonômico (método de investigação desenvolvido por Reich) para referir-se a duas entidades distintas que, apesar de estarem em planos diferentes, tem uma correspondência no nível da função exercida.
  • holomovimento - a totalidade indivisível que está em permanente movimento. É um conceito da física quântica introduzido por David Bohm, sendo de uma ordem totalmente implicada, refere-se às funções de onda quânticas.
  • ligação - qualquer força (de atração ou repulsão) entre objetos, sejam eles partículas, átomos, moléculas, seres, grupos, substâncias, etc... Toda uma ligação comporta uma energia.
  • ligação co-valente - ligação entre átomos formada pelo compartilhamento de elétrons.
    ligação iônica - ligação entre átomos decorrente das forças provenientes de uma atração entre cargas elétricas opostas.
  • motilidade - mobilidade interna
  • movimento expressivo da vida - termo usadao por Reich equivalente à bioenergia.
  • movimento plasmático - conceito pouco preciso usado por Reich referente a movimentos involuntátrios, podendo-se referir desde movimentos do citoplasmasma aos movimentos tissulares.
  • mundo relativístico - conjunto de fenômenos onde é necessário levar em consideração a Teoria da Relatividade
  • netware - programação distribuída em rede ou a ou organização/inteligência decorrente desta distribuição.
  • nível de estratificação - conceito da teoria de sistemas, são as diferentes camadas de organização, que podem ser observados como mundos em si, como uma coerência própria. Exemplos: o nível subatômico, o nível atômico, o nível molecular, o nível celular, o nível tissular, o nível dos seres, o nível das sociedades, o nível dos ecossistemas, o nível cosmológico.
  • oceano de energia cósmica - energia orgone livre de massa presente no cosmos, Reich descreve o orgone observável como crsitas das ondas deste oceano. Eu o entendo como equivalente ao conceito de holomovimento da física quântica.
  • oranur - manifestação hiperexcitada da energia orgone, capaz de atingir o "ponto fraco" de cada organismo.
  • ordem explicada, explícita ou desenvolvida - uma das duas ordens básicas do universo. Refere-se ao que pode ser diretamente observado, como a matéria e os objetos.
  • ordem implicada, implícita ou envolvida - uma das duas ordens básicas do universo. Refere-se ao que não é diretamente observável, como os campos e as relações.
  • orgone - forma de energia primordial descoberta por Wilhelm Reich. O termo orgone às vezes é usado indiscriminadamente, referindo-se tanto ao orgone cósmico, implícito, dissociado da matéria, que eu considero equivalente ao conceito de holomovimento da física quântica, quanto a manifestações explícitas dessa energia, vinculadas a matéria, como vem sendo consideradas a bioenergia, OR, DOR e Oranur.
  • pontes de hidrogênio - forças entre as moléculas de água, devidas aos pólos elétricos decorrentes da assimetria desta molécula.
  • quark - partícula subatômica de diversas nuances, cuja combinação vai formar os prótons e nêutrons.
  • recalque - conceito da psicanálise que designa o processo de exclusão do consciente de determinadas representações (pensamentos, imagens, .recordações).
  • teoria cosmológica - Teoria sobre a formação e evolução do universo.
  • transmutação - trâmite entre duas formas diferentes de energia. Por exemplo, o fogo transmuta uma energia química em uma energia térmica.

Bibliografia

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