logo pfc

O R G O N izando

Produzido por José Guilherme Oliveira
 
 

HISTÓRIA DO CONCEITO DE ÉTER

por José Guilherme Oliveira
Trabalho apresentado em
© 1997 - Direitos Autorais Reservados - O autor autoriza a reprodução deste artigo desde que sem fins comerciais, sendo citada sua autoria e feita referência à esta página, situada em http://www.orgonizando.psc.br/artigos/or-nr.htm. Caso sejam citados trechos do artigo, solicitamos cuidado para que o sentido da citação fora do contexto não venha a ser deturpado ou passível de má interpretação.

Sinopse & Abstract / Introdução / História Conclusão / Bibliografia 
 

SINOPSE

Apresentamos aqui um breve histórico do desenvolvimento do conceito de éter, desde os gregos clássicos até a atualidade, visando contribuir para o esclarecimento do conflito sobre a existência deste meio sutil, que foi defendida por Reich mas que é negada em muitos meios acadêmicos. Apontamos alguns fatos que demonstram a presença de uma questão ideológica que dificulta a produção de um consenso científico. Das teorias mais recentes, apresentamos algumas que parecem coerentes com a perspectiva reichiana.

ABSTRACT

We present here a brief history of the concept of ether, from the classic Greeks to actuality, in order to bring a contribution to ease the conflict over the existence of such a subtle medium, which was defended by Reich but condemned in many an academic environment. We point to some facts that show there is an ideological question present that upsets the achievement of a scientific consensus. Of the recent theories on ether, we present some that seem consistent with the reichian understanding.
 

INTRODUÇÃO

Como eu tive uma formação anterior na área de ciências "exatas" (que termo mais ultrapassado!), quando comecei a ler Reich, fiquei surpreso ao perceber que a sua conceituação de orgone se fundamentava em um meio etérico. Por tudo que eu havia aprendido até então, este era um conceito que havia sido abandonado pela física desde a Teoria de Relatividade de Einstein.

Comecei a investigar um pouco esta questão, e fui me dando conta que esta era uma visão ideológica, que  tem sido questionada por inúmeras teorias alternativas à corrente dominante na física. E fui descobrindo que há na Física Contemporânea conceituadas teorias coerentes com a perspectiva reichiana.
 

A HISTÓRIA

Gregos / Newton / Eletromagnetismo / Einstein / Reich / Coutney Baker / David Bohm

Os Gregos

O conceito de éter tomou corpo na Grécia, tendo especial importância a obra de Pitágoras. Para os gregos era um éter de movimento e ubiqüidade.

“Éter é palavra de origem grega: aithér, que significava, primitivamente, uma espécie de fluido sutil e rarefeito que preenchia todo o espaço e envolvia toda a terra (ubiqüidade: o estar em toda a parte a todo o tempo).

Os gregos, fazendo uso da linguagem, compuseram esse termo, provavelmente, a partir de aeí ("sempre"), e de theîn ("correr"); aquilo que sempre corre, o que está em perpétuo movimento.”
 

Newton (sec. XVII)

Desde os gregos, a crença em um éter foi pouco questionada por muitos séculos, sendo fundamental entre os alquímicos.

No sec. XVII, a teoria gravitacional de Newton, trouxe uma primeira dúvida, pois falava de uma ação à distância sem a necessidade de um meio interveniente. Mas seria isto mesmo?

Isaac NewtonVejamos um texto do próprio Newton:

Além disso, no seu estudo da luz, Newton falava de uma luz fenomênica (a estudada pela Ótica), mas também de uma luz numênica, de características que vão lembrar em alguns pontos algumas facetas do orgone.
 

Eletromagnetismo (sec. XIX)

O eletromagnetismo, desenvolvido principalmente por Maxwell e Faraday, trouxe contribuições fundamentais como o do conceito de campo. Os campos tinham o éter como o meio de sua propagação, mas o eletromagnetismo prescindia do movimento deste éter e passou a tratá-lo como um éter estático.

MichaelsonNa década de 1880, o experimento de Michaelson-Morley tentou medir a velocidade da Terra, correspondente aos seus movimentos planetários e galácticos, nesse meio. O fato de não ter encontrado nenhum movimento significativo veio a servir de base para a Teoria da Relatividade de Einstein, e foi interpretada como uma prova contra a existência de um éter que serviria de um referencial absoluto no universo.

Entretanto, Morley continuou seus experimentos com Müller, e este mais tarde, em 1925, mediu um movimento para a Terra no éter que é coerente com o seu deslocamento galáctico, hoje conhecido. Um fator determinante foi a questão da altitude, o experimento foi feito no topo de uma montanha. Esta condição é coerente com a visão reichiana do envoltório orgonótico da Terra, que é mais denso à medida que se afasta da superfície.
 

Einstein e a Teoria da Relatividade (1905)

Para Einstein, o éter existe, mas é o próprio espaço-tempo. No entanto, esse éter nem é estático nem tem movimento, pois se o movimento é um deslocamento no espaço ao longo do tempo, como o próprio espaço-tempo poderia se deslocar em si mesmo? O conceito deixa de fazer sentido: Einstein também conseguiu equacionar o problema da constância da velocidade da luz, uma questão que permeia a maioria das teorias sobre o éter.
 

Reich (anos 40 e 50)

Para Reich, o éter é um oceano de energia cósmica, de onde despontam unidades de energia orgone, como as cristas de ondas nesse oceano. São as propriedades deste éter que vão determinar às ações à distância, como a gravidade.

O espaço estaria cheio desta energia, deixando de ser um espaço vazio. A Terra, ao se movimentar neste éter, teria em volta de si um envoltório orgonótico, que é arrastado junto com ela.

Wilhelm ReichMas Reich percebe uma característica fundamental da energia orgone, que a distingue das outras formas de energia (e que prenuncia a questão da organização da complexidade encontrada mais recentemente em Winiwater2  e Prigogine): a energia orgone flui do sistema menos carregado para o mais carregado, ao contrário das outras formas de energia.  É a partir desta propriedade que se configura a sua característica neguentrópica relacionada com a construção da vida e da complexidade.

Uma outra perspectiva original de Reich neste tema, é a sua observação de uma possibilidade de uma percepção direta do orgone.

Coutney Baker (1987)

Coutney Baker propõe uma releitura da física a partir de uma perspectiva do funcionalismo orgonômico. Questiona o conceito de energia da física como sendo uma mera abstração contábil sem um significado que a caracterize como uma entidade real. Vai propor uma abordagem centrada em um meio etérico, tomando por base um modelo de éter proposto em 1931 por Fernando Sanford.

Sanford via o éter como um meio imperfeitamente elástico, de cujas alterações decorriam a massa e a carga das partículas. As forças seriam efeitos de uma reação do éter para reduzir as tensões decorrentes dessas heterogeneidades.

Para Baker, os impulsos de energia seriam pacotes condensados do éter, essa energia seria primária e teria um significado concreto. Seria aquela entidade que daria origem ao movimento. Os conceitos de espaço e tempo seriam decorrentes de uma resistência ao movimento, pois sem resistência, qualquer movimento seria instantâneo, e não haveria nem distância nem duração, já que os objetos poderiam estar simultaneamente em múltiplos lugares.

Eu prefiro fazer a seguinte reorganização desses pressupostos:

Baker caracteriza algumas propriedades de um éter visto como um oceano de energia orgone, básicas para se entender a natureza essencial da energia.

David Bohm (1980)

A física quântica tem se mostrado ao longo deste século um referencial teórico extremamente confiável, mas se a aplicabilidade das suas equações está cada vez mais comprovada, o que elas significam é passível de múltiplas interpretações. Mesmo a interpretação de Copenhagen, feita nos anos 20, só perdura até hoje após ter sofrido muitas emendas, e fala de uma visão subatômica probabilística, não determinista. Bohm produziu uma nova interpretação deslocando o indeterminismo da partícula para a informação que a guia.

Seria um universo cheio de energia, muito mais um plenum  que um vazio, que ele vem denominar de holomovimento. Dentro desta visão ele mergulha nos fenômenos de sincronicidade e vem nos falar de um universo indivisível, onde a informação do todo está em todas as partes, e se tudo move permanentemente. A questão da informação é básica para Bohm, tudo no universo é organizado por  dois tipos de ordem: e a ordem implicada (ou implícita, envolvida), e a ordem explicada (ou explícita, desenvolvida). Tudo no universo pulsa entre essas duas ordens, a explicada é a que se forma pela discriminação a partir do todo, a implicada é a que se inscreve no todo a partir do individual. O plenum transporta a ordem implicada. As ordens explicadas podem ter diferentes níveis de complexidade, a ordem implicada existente no holomovimento e tem um nível de complexidade e uma dimensionalidade infinitas.

O que nós vislumbramos  como dualismos -- vivo/inanimado, corpo/mente -- são apenas diferentes projeções desse holomovimento em ordens mais simples.

A consciência se aproxima da ordem implicada: imagine-se ouvindo uma melodia, a primeira nota é ouvida e vai deixando um vestígio na mente que se liga à próxima nota dando uma continuidade à música, a nova nota deixa um outro vestígio e assim sucessivamente. Cada nota ao deixar vestígios está se envolvendo em um complexo, se inscrevendo em um todo. A explicitação a partir dessa ordem mais implícita seria a rememoração ou a reorganização em uma nova idéia.

Sob esta perspectiva, o movimento deixa de ser uma relação entre algo que existe e algo que não existe mais, pois o passado deixa vestígios na ordem implicada, que continua existindo e passa a relacionar duas entidades existentes no presente, um vestígio e um acontecimento.

Eu vejo nesta teoria, não só uma produção de resultados bastante compatíveis com os da orgonomia, mas algo que pode em muito enriquecê-la. O holomovimento eqüivale a um oceano de energia cósmica de uma dimensionalidade infinita, do qual percebemos projeções, como as unidades de energia orgone: as cristas das ondas do oceano, como dizia Reich. É um conceito de "éter" coerente com os progressos da ciência contemporânea, que resulta numa visão da unidade corpo-mente, e que traz em si uma possibilidade de entendimento dos fenômenos neguentrópicos -- como os que ocorrem com a energia orgone -- a partir da inserção das ordens explicadas numa ordem implicada universal.
 

CONCLUSÃO

Além das teorias sobre o éter aqui apresentadas, dezenas de outras foram encontradas na bibliografia citada, indicando que, se ainda não dispomos de um conhecimento que precise um entendimento comum, há cada vez mais indícios que a ciência vem se aproximando desta realização. Procurei apresentar alguns exemplos que se revelaram coerentes com a perspectiva orgonômica e/ou que pudessem enriquecê-la. É um momento semelhante ao do início do eletromagnetismo, onde aos poucos as diversas hipóteses foram convergindo para um saber mais sólido.

A percepção de que há pressupostos ideológicos por traz de alguns saberes que se revelam contraditórios, de que há uma questão paradigmática que neste caso se reflete numa polaridade entre uma herança mecanicista e uma visão holística, é um passo para que se possa desenredar as oposições existentes hoje. Esses conhecimentos distintos são apenas projeções reduzidas de uma mesma ordem implicada, mas onde cada saber reflete um aspecto distinto a ser integrado em um entendimento mais completo.

NOTAS

1 citado por Sheldrake

2 vide Bourgignon

BIBLIOGRAFIA

Livros

Artigos

 
 linha
 
 Este é um sítio para se compartilhar as fontes da vida: conhecimento, amor e trabalho.
This is a site for sharing love, work and knowledge.

 
 linha
Web page http://www.orgonizando.psc.br/artigos/hst-eter.htm