O R G O N i zando

Psicoterapia Corporal
e Orgonomia 
desde Wilhelm Reich

Nos bastidores de uma pesquisa *

Geny de O. Cobra

 Direitos Autorais Reservados - O autor autoriza a reprodução deste artigo desde que sem fins comerciais, sendo citada sua autoria e feita referência à esta página. Caso sejam citados trechos do artigo, solicitamos cuidado para que o sentido da citação fora do contexto não venha a ser deturpado ou passível de má interpretação.

 

Resumo:

Este artigo é uma reflexão sobre o Pensamento Funcional, método de investigação criado por Wilhelm Reich, baseada na pesquisa da Dissertação de Mestrado “ Corpo e Identidade: um Estudo Funcional sobre a Organização Biopsíquica da Identidade”. Nele discuto a rede lógica de raciocínio aplicada  à teoria biopsíquica da identidade.

Palavras-Chave: identidade, funcional, biopsíquica.

Abstract:

This article is a reflection on the Functional Thinking,, a method of investigation criated by Wilhelm Reich and based on  research for the Master`s Dissertation “ Body and Identity: a Functional Study of   Biopsychic Organization of Identity”,in which the net of logical thinking applied to the Biopsychic theory of  Identity is discussed.

Key Words: identity, functional, biopsychic.

 

Introdução

A obra de Wilhelm Reich é ampla, complexa e, muitas vezes, erroneamente compreendida e mal interpretada tanto pelos nossos pares, cujo conhecimento é superficial e carregado de preconceitos, quanto por aqueles que não a conhecem. Reich também reconheceu a grande abrangência de suas teorias. Entretanto, para compreendê-las em sua riqueza e profundidade e aplicá-las na pesquisa, faz-se necessário seguir uma metodologia específica  que é o pensamento funcional1.  O pensamento funcional é uma forma de raciocínio, como veremos mais adiante, que avalia o campo psíquico e o somático de forma abrangente, inter-conectada e nos possibilita resolver a dicotomia corpo-mente.

Segundo Reich, o pensamento funcional é a forma de investigar e compreender a vida como a força da natureza. A natureza mesmo imprecisa e fluida, opera-se de forma funcional e não mecânica. Ao observar os processos naturais, Reich certificou-se que os mesmos apresentam uma infinidade de variações, que ora são semelhantes e ora antagonicamente complementares. Para Reich (1979:20), a acuidade na observação da natureza depende: da capacidade do observador em compreender as variações com as quais ele trabalha; e identificar o campo funcional ao qual pertencem. Tal habilidade depende da sensibilidade e capacidade perceptiva do observador ou como ele funciona quando percebe e pensa.

Os cientistas, de modo geral, não estão habituados a pensar e explicar o ser humano em sua totalidade. Ora ele é explicado pela biologia, ora pela psicologia, ou sociologia e assim por diante. Por exemplo, Rychlak (1977), professor e psicólogo humanista em Chicago, sugere a existência de quatro terrenos  onde  a  ciência  teoriza  e busca sua validação empírica,  tais como: Physicos,  Bios, Socius e Logos. Segundo ele, hoje a consciência pode ser explicada através do princípio de complementariedade dos quatro terrenos.  No entanto, o autor não resolve a questão da divisão entre os quatro terrenos, pois  compreende a consciência como um processo puramente mental, situando-a no terreno do Logos.  Enquanto que Reich (1994:443) oferece-nos uma visão diferente ao conceber as funções mentais da autopercepção e consciência diretamente relacionadas e interdependentes. Isto quer dizer que a consciência depende da organização da autopercepção e vice-versa. O funcionamento de ambas depende da qualidade e grau de certos estados bio-energéticos do organismo, isto é, a qualidade e intensidade destas funções estão diretamente relacionadas com um certo grau de excitação do organismo.  Portanto, para compreende-las é necessário considerar a inter-relação existente entre os quatro terrenos acima mencionados.

Já nos anos 30 e 40 Reich defendia a complementariedade no saber científico. Vejamos como ele via esta questão:  “A conexão funcional dos processos, nos diferentes campos do funcionamento, fundamentalmente DISSOLVE OS LIMITES ENTRE AS DIVERSAS CIÊNCIAS, os quais são tratados pela ciência mecanicista rigorosamente isolados uns dos outros” (apud. Konia,1989:65).  A orientação do pensamento científico de Reich concebe o campo psicológico proveniente do campo social profundo, e o social origina-se do, ainda mais profundo, funcionamento biológico. Isso quer dizer que os dois campos são interligados e não excludentes. Quanto a isto Reich (1975:35-36) esclarece:  “a criança nasce com uma certa quantidade de energia; o mundo [o social] a toma e a modela”. Assim, pode-se dizer que “...encontramos em um mesmo organismo, ambas, a sociologia e a biologia”.  Daí a possibilidade de  compreender e  pensar o ser humano como um sistema biopsíquico e biossocial. 

A aplicação desta visão teórica no campo da pesquisa é, muitas vezes, incompatível com os métodos convencionais mais difundidos e usualmente ensinados nas universidades, pois são métodos que não pensam os sistemas que se interagem e se transformam. Na verdade os sistemas, sejam psicológicos ou sociais, são pensados como entidades estanques, porque falta-lhes a compreensão de interação energética.  É exatamente a concepção de movimento energético entre os sistemas, que possibilita ao raciocínio funcional seguir a característica de uma espiral contínua, pois move-se de uma variação para outra. Esta analogia faz sentido, porque a espiral descreve o movimento da energia orgone, que está presente em “toda  parte” de forma contínua e ininterrupta. (Reich 1979:145)

Assim, para  aplicar a teoria de Reich na minha pesquisa, tive que resolver algumas questões práticas, tais como: Era possível aplicar os métodos convencionais no campo biopsíquico ou biossocial?  Ou ainda: Por que Reich acentua ser necessário o pensamento funcional no seu campo teórico? No livro Ether, God and Devil. Cosmic Superimposition, Reich afirma que a orgonomia é uma ciência das leis funcionais da energia orgone. E que para fazer uma investigação no campo da orgonomia  “...existem duas maneiras de organizar o material: uma é de forma acadêmica ou objetiva; a outra, de forma humana ou envolvida”. Envolvida em que? “Principalmente na objetividade acurada das observações, fatos e interconexões científicas” (1979:15). Percebi, então, que se utilizasse os métodos convencionais não conseguiria aplicar a teoria de Reich de forma fidedigna. Assim, não tinha outra saída, senão tentar aplicar o pensamento funcional em minha pesquisa.  

A experiência de realizar uma pesquisa à luz da teoria de Reich, inspirou-me para escrever estas reflexões e mostrar a importância do pensamento funcional, como um novo paradigma na investigação dos processos energéticos do biosistema.  Este raciocínio também permitiu-me avaliar os fenômenos bio-psicológicos como manifestações dos campos somático, mental e emocional.  Sendo seu eixo central a premissa contida na teoria de Reich - a energia biológica está na base do sentimento de estar vivo, das nossas sensações vegetativas, ações, sentimentos religiosos e fantasias cósmicas.

O raciocínio funcional possibilitou-me compreender a inter-relação entre a teoria da organização biopsíquica da identidade e o trabalho de campo realizado com um grupo de nove (às vezes 11) adolescentes criadas em orfanatos. A dinâmica desse trabalho consistiu em experiências interativas e vivências terapêuticas-pedagógicas. A pesquisa com o grupo teve a duração de 15 meses, com encontros semanais de uma hora e trinta minutos.

O desenho da pesquisa consistiu em uma parte teórica e a análise do trabalho de campo realizado com as adolescentes. No campo teórico, discuti o conceito de identidade, sua organização ontogenética e as funções da percepção, autopercepção, consciência; bem como,  os conceitos de caráter e  personalidade.

Não é minha intenção descrever aqui o campo teórico da pesquisa, pois o propósito deste artigo é discutir teoricamente o pensamento funcional como método de investigação e mais adiante descrever a lógica de raciocínio empregada no viés teórico aplicado à pesquisa de campo.

O Pensamento Funcional

Após a investigação da estrutura do caráter, Reich deu-se conta que havia atingido uma nova forma de pensamento no campo da pesquisa. Essa nova orientação possibilitou-lhe conceituar um método de investigação direcionado para a orgonomia – o funcionalismo orgonômico. Chamou de pensamento funcional[2] à técnica de raciocínio aplicada ao funcionalismo orgonônimo.                Essa nova perspectiva de conduzir uma investigação deu a Reich a noção de ter somente construído a fundação e a estrutura do novo pensamento, e o que ainda lhe falta deve ser preenchido, no meu entender, por seus seguidores.

Para compreender o pensamento funcional, além da literatura contida nos artigos de Reich, fui orientada por Dr. Charles Konia[3] e utilizei os estudos de orgonometria funcional de Jacob Meyerowitz. Pode-se dizer que, atualmente, estes dois orgonomistas são os que mais discutem e complementam o raciocínio funcional na teoria de Reich.

Através destas três fontes de informação compreendi que a lógica  do pensamento funcional deriva-se da operação das funções, e não de operações do pensamento. Ou seja, a relação direta entre causa e efeito é uma idéia que resulta da lógica do pensamento e não das funções. Função significa observar e seguir as flutuações de nossas respostas perceptivas e biofísicas em face ao objeto estudado. Meyerowitz (1994:20) usa o substantivo função como: o modo de ação de alguma coisa, ou ainda, o trabalho e a atividade de alguma coisa.

Para aplicar esta técnica de raciocínio é necessário seguir dois pré-requisitos: primeiro, observar como as coisas funcionam; segundo, descrever todas as coisas exatamente como funcionam. Através destas duas operações básicas pode-se conceber que existe no investigador, a capacidade de distinguir as diferentes funções e de avaliar a íntima relação existente entre sua percepção e as qualidades das mesmas. Mesmo porque as funções perceptivas são essencialmente experiências qualitativas e não podem ser quantificadas.  Esta afirmação já contradiz a visão  tradicional de que o pesquisador deve ser objetivo e distanciado de sua percepção subjetiva.  O que, para Reich, é a grande fonte de erros na investigação. 

O pensamento funcional como um método de investigação aplicado ao ser vivo contém algumas premissas iniciais, tais como: a) observação direta dos processos naturais e identificação do campo que pertencem;  b) investigação da vida emocional,  na sua essência, e compreendê-la nas suas várias funções e expressões energéticas; c) descrição das funções antitéticas que embora diferentes, podem apresentar semelhanças; d) avaliação da energia, como um processo anterior à matéria.

A observação das funções naturais implica em reconhecer, que a percepção sensorial deriva-se dos processos físicos ligados à natureza humana. Assim, teoricamente é necessário compreender as qualidades prioritárias às quantidades, e avaliar como qualitativa qualquer percepção de uma função psíquica. Do ponto de vista prático, o processo da investigação inicia-se sempre pela descrição qualitativa das funções a serem estudadas. A descrição precisa  das funções em termos de suas intensidades e qualidades, além de evitar erros conceituais, coincidem com a maneira como as percebemos. (Meyerowitz, 1985) 

A abordagem qualitativa não exclui a questão quantitativa[4], ao contrário, ela esclarece-nos como ocorrem as relações e conexões existentes entre as várias funções e o ponto de fusão entre a qualidade e a quantidade. Isto quer dizer que, cada função está intimamente relacionada uma com a outra, na medida que formam pares funcionais.  A relação das duas funções (pares) faz-se por associação com uma terceira, mais ampla e profunda, que Reich chamou de princípio comum de funcionamento PCF [5].  Por ser uma função mais profunda, o PCF unifica as duas funções constituídas e sua qualidade determina a qualidade de cada uma das funções do par associado.

Para melhor compreender o papel do princípio comum de funcionamento Meyerowitz (id. ibid), utiliza a divisão celular (mitose), como ilustração de uma operação básica funcional: a ameba túrgida A (o PCF) após passar por uma convulsão plasmática divide-se em duas células filhas A1 e A2 (um par de funções). A característica da ameba A determina a das outras duas. As amebas filhas, apesar de qualitativamente diferentes, individuais e independentes, relacionam-se uma com a outra através de sua origem comum – o PCF.  Reich (apud Meyerowitz, 1985) chamou esse raciocínio básico de operação de desenvolvimento. Para ele o desenvolvimento move-se sempre em direção a uma complexidade maior, gerando mais e mais variações. A operação das variações está normalmente   direcionada para o desenvolvimento e é funcionalmente constante.

Reich considerou as funções dos sistemas naturais e dos sistemas criados pelo homem  como um todo (whole).  A função como um todo é determinada pelo princípio comum de funcionamento (PCF) que impregna todas as sua partes.  Isso significa que cada função é um todo e sua base é o PCF. Entretanto, se a base é alterada, a função como um todo também será alterada.  Meyerowitz (id.ibid.) explica:  “a quantidade das partes [funções pares] que constituem um sistema não tem relevância para determinar a função como um todo”. Para compreender este raciocínio o exemplo da câmara fotográfica é bastante ilustrativo. Uma câmara é construída com 160 peças e uma outra, com 240. Essa diferença não modifica a função como um todo, que é ser uma câmara.  Entretanto,  a variação das partes da câmara, ou seja, a velocidade ou o consumo de energia, não podem afetar o PCF -  já que o todo ainda existe de forma específica.  Em resumo, a função como um todo continua a existir desde que o PCF mantenha-se o mesmo. Entretanto, a transformação da função como um todo, opera-se a partir do PCF em direção às variações constituídas e entre as mesmas.  As funções constituídas são consideradas variações porque nem sempre são perfeitamente idênticas.

As funções, possuem algumas propriedades que lhes são intrínsecas, isto é, podem ser homogêneas ou heterogêneas.  Quando as funções desenvolvidas do PCF são do mesmo tipo, são chamadas homogêneas. Por exemplo a ameba mãe e as amebas filhas são homogêneas e consistem em variação simples. Enquanto que a característica das heterogêneas consiste em duas variações primárias que se sobrepõem e se fundem para criar uma nova unidade de função. Neste caso sofrem o processo de transformação. Um exemplo deste processo é a fusão das células germinais masculina e feminina, que dão origem ao óvulo fertilizado. Assim, a operação de fusão cria uma nova unidade funcional.

Um outro fator importante a ser considerado na relação existente entre as funções, são as propriedades intrínsecas ao seu campo de origem. Reich (apud Meyerowitz 1994:44) encontrou  somente quatro expressões interativas entre  as variações das funções homogêneas. Estas são:

1) Variações simples – são as funções que embora semelhantes, mantêm as particularidades  individuais: por exemplo a ameba mãe e as amebas filhas.

2) Variações de oposição simples – são as funções antitéticas que se atraem e coexistem: por exemplo, no registro dos sexos o macho e a fêmea se atraem e coexistem, embora sejam variações de uma mesma espécie.

3) Variações de oposição antagônica – são funções antitéticas que se excluem: esta operação ocorre entre as expressões das funções pares, geralmente, encontradas no ser vivo: por exemplo, a expressão da ansiedade exclui a sexualidade, a da raiva exclui o medo. A operação de exclusão, no organismo, encontra-se mais evidente nas funções do sistema nervoso simpático e parassimpático, especialmente nos órgãos que sofrem a ação de ambos como o coração, os brônquios pulmonares e as pupilas.

4) Operações com oposições alternadas – são funções antitéticas que se excluem e se alternam de forma contínua: esta alternação regular expressa entre pares funcionais opostos e exclusivos, encontra-se nos movimentos rítmicos dos organismos vivos. Por exemplo, a operação alternada de expansão e contração no movimento de batimento cardíaco do músculo do coração e na peristalse do intestino.  

As funções heterogêneas também desenvolvem-se de uma função mais profunda o PCF, mas o processo de sua interação é diferente das homogêneas, porque podem transformar-se em outra função.  Ou melhor, são pares de funções de diferentes tipos (variações) que sofrem uma transformação funcional, tais como energia secundária e matéria, tempo e distância,  excitação e percepção. O processo de transformação ocorre somente entre as funções heterogêneas de tipos diferentes e constitui uma forma de desenvolvimento.

Após discutir de forma resumida as noções básicas do pensamento funcional, pretendo em seguida demonstrar o raciocínio funcional aplicado à  minha pesquisa.

O Pensamento Funcional na Teoria Biopsíquica

Sempre senti-me atraída e fascinada pela investigação de Reich sobre o processo esquizofrênico, especialmente, pela teoria sobre a interdependência entre a consciência e a autopercepão.  A psicologia tradicional ensina estas duas funções psíquicas de maneira muito abstrata.  O fato de avaliá-las somente no campo psíquico, limita a compreensão mais profunda de sua origem e organização no biosistema.

Para compreender a teoria funcional da organização da identidade foi-me necessário partir do pressuposto que sua base encontra-se no campo biopsíquico. Mesmo que não pretenda aprofundar a teoria  da organização da identidade neste contexto, penso ser necessário esclarecer como a conceituo para melhor compreender sua inserção no campo biopsíquico. Defini a identidade como o sentimento de unidade, autenticidade e singularidade que organiza nosso eu mais intimo (self);  a autopercepão intransmutável que temos de nós mesmos da infância à velhice. Ela reflete a unidade entre a auto-imagem, a percepção de nosso corpo, os sentimentos e emoções que vivemos e expressamos.

O sentimento de unidade depende, por um lado, da coordenação entre a autopercepção e a consciência e por outro lado, do contato funcional que progressivamente se estabelece no organismo como um todo. Nosso corpo muda da infância à velhice, mas a auto-imagem que temos de nós mesmos ( nosso eu mais íntimo)  perdura até à morte.

Veremos a seguir como o raciocínio funcional da teoria de Reich, permitiu-me estabelecer a relação entre as funções da percepção e consciência e propiciou-me o caminho para reconhecer a identidade como uma organização biopsíquica.

A partir da investigação da função do orgasmo, Reich descobriu que existe uma relação entre as funções psíquicas e a excitação biológica.  Compreendeu que as primeiras, não são atividades exclusivamente psíquicas (consciente), como se pensava na psicanálise, mas sim funções com base biológica. Porém, ao constatar a suspensão momentânea da consciência no orgasmo, passou a compreende-la como uma função proveniente de um campo mais superficial de toda a atividade psíquica. Na visão de Reich, o campo psicológico no qual se insere a consciência e o campo energético são próprios da superfície do sistema biológico. 

Portanto, não se pode explicar as funções mais profundas do sistema biopsíquico somente pela consciência; até porque o campo psíquico profundo origina-se de um nível além do mental, ou seja, da energia orgone biológica manifesta nas funções emocionais. Como o sistema biopsíquico organiza-se além da consciência? Para responder a esta pergunta é necessário fazermos uma retrospectiva teórica construída dentro da perspectiva funcional.

Segundo Konia (1998:63) o pensamento funcional de Reich propiciou a solução para o campo clínico e o biológico. No primeiro, compreendeu os efeitos da couraça no funcionamento do organismo como um todo. No segundo, identificou em sua base as funções pares expansão-contração como variações de um princípio comum de funcionamento (PCF): a pulsação da energia orgone. No entanto, a pulsação é uma função mais profunda que suas variações. Seguindo o raciocínio de Konia pode-se perguntar:  Qual a função que é mais profunda e constitui o PCF da pulsação?  Ou melhor, o que pulsa?  A excitação pulsa (grifo do autor).  O autor ainda  nos lembra que excitação e pulsação são provenientes de campos diferentes, isto é, o campo da excitação é mais profundo que o da pulsação.  Bem sabemos que na pulsação a excitação pulsa de duas formas alternadas, isto é, do centro para à periferia e desta para o centro. Portanto, os pares funcionais de expansão e contração resultam do movimento pulsatório da excitação.

Entretanto, qual é o par funcional da excitação?  Reich ao investigar os distúrbios específicos do processo esquizofrênico pode compreender as implicações das funções energéticas nos mesmos.  Daí resultou a descoberta mais importante do pensamento funcional de Reich, isto é, a compreensão de que estas funções energéticas são responsáveis pelo contato. Este fenômeno expressa-se no organismo encouraçado através da falta de contato ou do contato substituto. Ao focar-se nos distúrbios de contato verificou que na doença esquizofrênica existe uma cisão entre as funções da autopercepção e da excitação biológica.   Este insight possibilitou-lhe avaliar que a excitação e a percepção constituem pares funcionais, mas  como pertencem aos registros psíquico e somático, são funções heterogêneas e qualitativamente diferentes. Entretanto, no organismo saudável a percepção e a  excitação ocorrem de forma simultânea e são responsáveis pela função do contato orgonótico (contato com o self). Já no processo da falta de contato, a couraça bloqueia a excitação (dividindo seu caminho e força), perturba a percepção acurada do indivíduo, provocando a distorção das experiências sensoriais tanto do mundo externo, como de si mesmo. 

Na esquizofrenia, esclarece Konia (id.ibid.), estas funções naturais sofrem perturbações especificas e  características a este tipo de biopatia. Na projeção psicótica, por exemplo, quando aumenta a intensidade da excitação no cérebro, ultrapassando os limites de tolerância do indivíduo, ele a vivencia como pânico. Para que haja a unidade das duas funções -  responsável pela percepção acurada e a identificação com o self - é necessário que haja excitação (acima de um determinado nível) no organismo e a percepção psíquica (subjetiva) da excitação. Por exemplo, nos indivíduos com couraça ocular[6] a excitação ocorre separada da função da percepção com a qual é normalmente unificada;  ao invés de ser claramente percebida como parte do self, ela é percebida como alguma coisa estranha e pertencente ao mundo externo. É o que acontece no processo esquizofrênico. Como o organismo do esquizofrênico não possui couraças  para conter o aumento da excitação, ele intensifica o bloqueio do pescoço e da base do crânio para contê-la, provocando a alteração da percepção e da consciência.[7] A intolerância às emoções intensas faz com que o esquizofrênico iniba a respiração e diminua o contato com o mundo de forma a controlar o aumento da excitação.

O estudo funcional de Konia (id.ibid.) sobre o contato orgonótico, permitiu-me esclarecer algumas questões básicas, tais como: a) as funções da percepção e excitação são entidades físicas distintas; b) são funções primárias da energia orgônica; c) a percepção e a excitação ocorrem tanto no campo psicológico quanto no

biológico e manifestam-se no início do processo vital (na organização ontogenética); e d) a corrente orgonótica, identificada por Reich como o movimento do fluxo da energia orgone, é o princípio comum de funcionamento ( PCF) das funções da percepção e excitação.

Até o momento ficou-me claro, que para investigar os comportamentos e expressões do indivíduo, é necessário considerar a relação psicossomática como um todo, ou seja, a complementariedade existente entre a percepção (uma função profunda do psiquismo) e a excitação ( uma função biológica). A  partir daí é necessário definir os conceitos de psíquico e somático na perspectiva funcional. Para tanto, utilizarei a definição dada por Konia  (ibid: 74-65): “o psíquico (mente) é idêntico às funções energéticas do organismo unificadas no campo da percepção”.  Quer dizer que as funções psíquicas ocorrem nas zonas erógenas localizadas em toda a superfície do corpo humano.  São as zonas de contato mais intenso com as quais o indivíduo interage com o ambiente. Por esta razão são as áreas onde ocorrem as biopatias psíquicas e as couraças das zonas erógenas.

De forma semelhante Konia (id.ibid.) define o soma (corpo) como “o local ou os sistemas e elementos que compõem o organismo”. Os componentes do organismo, para citar alguns, são: os sistemas orgânicos, os órgãos, as células e organelas celulares, etc. Estes são responsáveis pelas interações funcionais fisiológicas que organizam o biosistema em sua totalidade e constituem o campo das biopatias somáticas, ou de encouraçamento de qualquer segmentos do organismo humano.[8]

A presença da couraça, como já foi falado, perturba as funções perceptivas e a excitação do organismo. Isto significa que nos  segmentos encouraçados, tais funções são seqüestradas ou bloqueadas da percepção do organismo em sua totalidade, impedindo a consciência dos mesmos. Assim  pode-se dizer que o indivíduo perde o contato com este segmento, não tem consciência da sensação proveniente do mesmo. 

Agora é necessário descobrir qual a função que faz a interação entre as funções psíquicas e somáticas. A respiração é a função que promove a relação entre o contato psíquico e o contato somático.  A respiração externa faz a interação do organismo com o ambiente externo,  através da troca de oxigênio e de gases de monóxido de carbono, como também carrega-o com a energia orgone atmosférica. Bem sabemos que a respiração livre e plena propicia, ao indivíduo, o sentimento de bem estar (uma função psíquica). A respiração interna faz a interação entre o organismo e seus componentes, com o ambiente interno (uma função somática). Pode-se dizer que a respiração plena aumenta a pulsação do organismo, o contato psíquico e conseqüentemente o contato somático. Funcionalmente o contato somático resulta da excitação,  da pulsação e  da expansão;  enquanto que  o contato psíquico resulta da excitação, autopercepção e consciência.

Aplicação do Raciocínio Funcional na Teoria Biopsíquica

Para concatenar a teoria, acima discutida, com a observação e os dados obtidos do grupo de adolescentes, foi importante  ter  em  mente  a  avaliação de Reich de que  a  investigação dos fenômenos naturais é sempre incerta, irregular, variável no mais alto grau e imprevisível, em resumo, é imperfeita. Como também seguir o que Meyerowitz chama de procedimento da pesquisa ou as duas direções para avaliá-la e compreendê-la.: investigar as características do registro funcional selecionado e seu desenvolvimento como um todo; ou, investigar estas características com a intenção de descobrir suas origens profundas, isto é, seu PCF.  No primeiro caso, a investigação procede na mesma direção que o desenvolvimento das funções investigadas; no segundo, como vimos acima, a pesquisa pode iniciar com uma variação funcional e tentar encontrar seus pares funcionais com suas interações e características e, mais tarde, focar no descobrimento de seu PCF.

 Antes de aplicar este procedimento, precisava definir o campo de ação da investigação. Como esta estava centrada na observação dos comportamentos e expressões emocionais de um grupo de adolescentes, utilizei a técnica de análise do caráter. Isto porque, na orgonomia, esta técnica é considerada mais superficial e trabalha especialmente com o nível antitético da relação psicossomática. Enquanto que a abordagem biofísica (soma, “corpo”), no contexto terapêutico e individual, visa o nível mais profundo da unidade do organismo.

Após esclarecer esta questão, defini o papel do grupo como um território[9] interativo, dentro do qual tornou-se possível observar a linguagem corporal, verbal e os comportamentos das adolescentes e, mais precisamente, como se viam, falavam e se expressavam.

Minha pesquisa de campo, na sua amplitude, enquadra-se dentro do segundo procedimento acima estabelecido. Principalmente a discussão teórica das funções pares da excitação e percepção, autopercepção e consciência, cujo raciocínio foi em direção ao princípio comum de funcionamento (PCF) a corrente orgonótica. Através deste raciocínio compreendi a origem da identidade na relação psicossomática e identifiquei-a como uma propriedade dos sistema biopsíquico, cuja função é agregar todos os elementos que fazem parte da estrutura do eu em contato com seu self.  E os elementos das camadas mais superficiais do sistema biopsíquico - a imagem corporal e personalidade, como os das mais profundas – o caráter. Esta divisão esquemática não traduz a complexidade da organização da identidade, pois cada parte do sistema biopsíquico sempre funciona a serviço do organismo em sua totalidade.

Vejamos então, as funções da excitação e percepção são produzidas pelo movimento da energia orgone, que pulsa do centro para a periferia e vice-versa, produzindo o contato orgonótico. De forma semelhante a percepção em sua intensidade quantitativa (excitação) organiza-se do centro para a periferia e vice-versa, possibilitando na relação psicossomática o contato psíquico e o contato somático. A síntese dos dois contatos é a identidade que depende, por um lado, do contato com o self e, por outro, do contato com o ambiente externo. Ambos possibilitam a integridade do eu (se reconhecer) e sua atuação no mundo externo (ser reconhecido).   O funcionamento do eu expressa-se através do  caráter e da personalidade. 

O caráter e a personalidade formam pares funcionais e são variações simples da relação psicossomática, embora  pertençam, quanto ao aspecto da reação humana, à segunda e à primeira camadas[10]. Baker (1980:62) define a personalidade como a aparência social organizada a partir das restrições sociais e educacionais impostas sobre o core[11] originalmente saudável. Reich (1994) compreende a personalidade como a camada social do homem comum, cujas expressões como reserva, polidez, compaixão, conscienciosidade e cooperação podem ser somente máscaras sociais, pois nem sempre traduzem o contato com o próprio self.  O caráter são as formas típicas de reação decorrentes de uma mudança crônica do eu. Tal mudança Reich chamou de couraça, cuja função é proteger o eu das demandas internas com relação às proibições externas. A rigidez do caráter provoca uma restrição à mobilidade psíquica da personalidade como um todo e, consequentemente, afeta qualitativamente o contato com o self e a organização da identidade.

Estava perante uma questão crucial: Como integrar a teoria do funcionamento do sistema biopsíquico e o trabalho de campo? Escolhi o segmento ocular, dentro da perspectiva psicossomática, como o elemento integrador da identidade e simultaneamente da teoria com a prática. O segmento ocular no desenvolvimento psicossexual do indivíduo é o primeiro a sofrer um bloqueio e, segundo Baker (id. pp18-20) uma zona de grande intensidade erógena. Como a pesquisa centrou-se na observação dos comportamentos, das reações e expressões emocionais das  adolescentes no grupo, compreendi ser este o viés de unificação entre a teoria e o empírico.

A história de vida das adolescentes integrantes do grupo e a observação do funcionamento das mesmas, confirmavam-me que estava no caminho certo. Assim, todos os trabalhos vivenciados pelo grupo centraram-se na estimulação e conscientização do segmento ocular. Estes trabalhos conduziram-me à exploração de como se viam e daí fui trabalhando a imagem corporal e a auto-imagem das adolescentes. Esta descoberta possibilitou-me agregar à teoria, já então discutida, a imagem corporal como um elemento novo no processo de organização da identidade.

Gostaria de ressaltar que a análise dos dados obtidos no trabalho de campo com as adolescentes foi realizada levando em consideração dois fatores: primeiro, que a adolescência é um período de definição da identidade;  segundo, que tanto na criança como no adolescente a couraça caracterial ainda não se encontra totalmente estruturada, portanto, os distúrbios psíquicos manifestam-se através dos comportamentos e não de atitudes do caráter.

Conclusão

Para finalizar, é importante ressaltar que o pensamento funcional é um raciocínio eficaz e possível de ser aplicado tanto na pesquisa de um grupo, como na prática terapêutica individual e mais profunda. Graças a esta forma de raciocínio pude situar com clareza o território onde ocorreu o trabalho de campo e avaliar seu funcionamento. Os encontros do grupo (grupo de trabalho) ocorreram na sala de visita da casa Rosada onde as adolescentes moravam. Por ordem prática decidimos mantê-las na própria casa. Já na entrevista individual com cada adolescente identifiquei a existência de dois grupos: um que participou do grupo de trabalho e outro que não quis participar e que chamei de “grupo paralelo”. 

Juntamente com o “grupo de trabalho”, o “paralelo” também foi nosso foco de observação, pois sua função foi polarizar as forças antagônicas do processo de pesquisa como um todo. Ou melhor, funcionou, muitas vezes,  como o depositário das forças antitéticas  e ambivalências do grupo de adolescentes que viviam na casa.  Analisei e chamei a atenção para o comportamento das integrantes do “grupo paralelo”, explicando a função do mesmo. Isto resultou no enfraquecimento desse grupo, especialmente, na polarização das emoções antagônicas expressas em comportamentos secundários.  Meses mais tarde, algumas adolescentes deste grupo passaram a fazer parte do grupo de trabalho. Enfim, este exemplo mostra como o pensamento funcional nos possibilita identificar as funções e suas qualidades, abrindo a possibilidade de um campo de ação bastante abrangente.

E como Reich ressalta, somente através deste raciocínio pode-se atingir a identidade funcional da unidade somática e psíquica, da emoção e excitação, da sensação e estímulos. A unidade ou a identidade são o princípio básico do conceito de vida, as quais excluem todo e qualquer transcendentalismo.    

Bibliografia

BAKER, F.E. Man in the Trap, Nova York, Collier Books, 1980.

FISCHER, Gustave-N. Psicologia Social do Ambiente, Lisboa, Instituto Piaget, 1981.

KONIA, C., M.D., “Interdenpendence Between Consciousness and Self-Perception”, em The Journal of Orgonomy, Nova York, Orgonomic Publications, 1981, v.15, n.2, p.250-262.

________.  “The Perceptual Function”, em The Journal of Orgonomy, Nova York, Orgonomic Publications, 1984, v. 18, n. 1, p. 80-98.

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________. “Orgone Therapy (Part VIII: The Application of Functional Thinking in Medical Practice), em The Journal of Orgonomy, Princeton, Orgonomic Publications, 1989, v. 23, n. 1,  pp. 237-247.

________. “Somatic Manifestations of Ocular Armor”, em The Journal of Orgonomy, Princeton, Orgonomic Publications, 1991, v. 25, n. 2, p. 207-213.

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________. “Orgone Therapy (Part XI: The Application of Functional Thinking in Medical Practice)”, em The Journal of Orgonomy, Princeton, Orgonomic Publications, 1991, v.25, n.1, pp.45-56.

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_______. The Bioelectrical Investigation of Sexuality and Anxiety, Nova York, Farrar Straus & Giroux, 1982.

RYCHLAK, F. J. IN Defense of Human Counsciousness, Washington DC, American Psychological Association, 1997.


Notas

Corpo e Identidade: Um Estudo Funcional da Organização Biopsíquica da Identidade, PUC-RJ, 1999.  Pesquisa  realizada para o mestrado em psicologia clínica na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. *

Psicoterapeuta, Orgonoterapeuta,  Mestra em Psicologia Clínica - PUC-RJ, Especialização em Metodologia de Pesquisa em Saúde Mental – Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz –RJ,   Formação em Bioenergia e Psicologia Biodinâmica no Boyesen Centre for Bioenergy and Psychodynamic Psychology, Londres, cursou  o “Advanced Laboratory Workshop” em Orgonomia Biofísica, no American College of Orgonomy - USA,  Membro fundadora e Coordenadora de Ética da APCRJ - Associação de Psicoterapia Corporal do Rio de Janeiro. *

[1] A técnica do pensamento funcional foi criada por Wilhelm Reich no período entre 1930 a 1947 e só publicada em 1950. O propósito desse método, que explica os processos da natureza de forma metódica e interligada, é resolver a divisão mística-mecanicista existente no pensamento científico. Reich chamou esse novo campo de ação de Funcionalismo Orgonômico e sua concepção abstrata de Orgonometria. Reich, W. 1979, pp. 3-12.

[2] Bedani, A. no site ORG2 em “O Funcionalismo Orgonômico e a Orgonometria – Uma breve apresentação” capítulo IV, p. 5, lembra-nos alguns pontos de semelhança entre o pensamento funcional de Reich com a Psicologia Funcionalista - corrente com forte influência darwiniana. Além de ambos terem sido influenciados pelas teorias de Darwin, não tenho qualquer informação precisa sobre o contato de Reich com a Psicologia Funcionalista. Contudo, parece-me que a idéia de Reich sobre função e o princípio comum de funcionamento – PCF foi inspirada em Frederick A. Lange, cujo tratado “História do Materialismo” (1892) - publicado em Londres em três volumes - já estava na segundo edição, quando as idéias revolucionárias de Darwin ganhavam força entre os cientistas.   

[3] Dr. Charles Konia é psiquiatra, orgonomista, vice-presidente do College of Orgonomy,  editor do The Journal of Orgonomy, nos Estados Unidos e considerado pesquisador da teoria de Reich.

[4] Para maior esclarecimento sobre a relação entre a abordagem qualitativa e quantitativa sugiro a leitura dos estudos experimentais de Reich entre 1934 a 1938, em Reich, W. The Bioelectrical Investigation of Sexuality and Anxiety, Farrar, Straus and Giroux, Nova York, 1982.

[5] Reich e seus seguidores usam a sigla CFP (The Common Functioning Principle). Traduzi para o português como:  Princípio Comum de Funcionamento. Então decidi adotar a sigla  PCF referente à tradução em português.   

[6] Reich (1994, p.431) considerou a expressão do olhar ausente típico do esquizofrênico conseqüente de um bloqueio na base do crânio, na região onde ocorre o cruzamento do nervo ótico.  Baker (1967, p.141) confirma a relação entre o bloqueio ocular e a contração na base do crânio. Para ele, quanto maior a severidade do bloqueio ocular, menor número de couraças  será organizado no organismo. Melhor dizendo, a severidade do bloqueio ocular, a disposição e a organização das couraças no organismo irão determinar o grau  do processo esquizofrênico.

[7] Sugiro a leitura sobre a interdependência entre a autopercepção e consciência em Reich , W. op .cit., pp.442-448.

[8] Para maiores detalhes sobre os segmentos do corpo, sugiro a leitura de “The Segmental Arrangement of the Armor, em Reich, W. op.cit. pp.368-390

[9]Território no sentido dado por Gustave-N. Fischer. O autor define território, dentro de uma dimensão social, como: uma organização social produtora de fronteiras que inscrevem no espaço as regras e os usos culturais de um grupo. Fischer, Gustave-N., Psicologia Social do Ambiente, Lisboa, Instituto Piaget, 1981.

[10] Refiro-me às três camadas da estrutura biopsíquica: o core o registro da natureza do indivíduo, a camada secundária, o registro do caráter e a camada superficial, a aparência ou o registro da personalidade. 

[11] O core no sentido dado por Reich é o “núcleo biológico” ou o “núcleo vital”. Como não encontrei uma tradução mais adequada, mantenho a palavra inglesa em itálico. Baker, (1980:xxvii) define core da seguinte forma: é o sistema nervoso vegetativo do qual emergem os estímulos involuntários que mantêm o funcionamento do organismo.

 

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